22.9.09

Salvação em wireless

Realmente vivemos tempos moderníssimos. Agora, com um email eu posso publicar no blog. Na verdade isso sempre foi possivel - sempre desde que criei MI em início de 2005. Acontece que agora, com o wireless nos telefones, e um par de horas por dia desperdiçados no metrô, há finalmente uma luz no fim do escuro túnel no qual esse blog se meteu há quase três anos.

A conferir.

21.9.09

Bleach, 20 anos

Bleach, o álbum de estréia do Nirvana, completa -- vejam só -- duas décadas neste ano. Alan McGee revê, no The Guardian, o mais cru dos discos da banda que varreu o glitter e o laquê do cenário musical do começo dos anos '90.

http://m.guardian.co.uk/ms/p/gmg/op/s8nvs0gkV_thOI7nF8dg6uA/view.m?id=184634&tid=120787&cat=Music

23.6.09

Classe

24.1.09

Encruzilhada

Young, sobre downloads, iPods, encruzilhadas e a crise, na faixa-título do próximo álbum.

21.3.08

Supergrass, Roundhouse - 14/03/08

São quinze minutos antes das nove horas da noite, hora marcada para o Supergrass subir ao palco da Roundhouse para apresentar pela primeira vez em Londres, como atração principal, as músicas do novo disco, Diamond Hoo Ha. Um punhado de cambistas oferecem, abaixo do preço de custo, ingressos para a apresentação do quarteto de Oxford. Há um desespero visível na atitude deles que vai além dos 10% de desconto oferecidos sem que se precise pechinchar.

Faz anos, Supergrass é considerada por boa parte dos ingleses uma banda superada, que teve seu auge como coadjuvante da batalha entre Oasis e Blur pelo reinado do britpop. E assim são tratados por parte da imprensa, como uma banda que lança discos cada vez menos relevantes e que dificilmente fará algo comparável aos dias de glória de Alright.

Mas não é só isso que explica cambistas traídos pela lei da oferta e da procura em Camdem Town. Doze dias antes, na mesma Roundhouse, a banda havia dividido o palco com outras nove atrações. E, uma semana antes disso, menos de dois quilômetros ao sul, na continuação da mesma avenida, outra apresentação conjunta. Shows beneficentes, onde, diferente de hoje, o Grass não era a atração principal.

Mas cinco minutos dentro de uma Roundhouse inexplicavelmente cheia bastam para perceber que fãs a banda ainda tem aos montes -- e eles se provarão, ao longo da noite, serem mais empolgados que a média do público inglês, tipicamente blasé. Contudo, e talvez nisso a imprensa inglesa tenha razão, é um público que envelheceu com a banda. Achar alguém com menos de 23 anos seria tão difícil quanto comprar um ingresso na porta de um show do Artic Monkeys.

Um minuto passado das nove horas e a banda ingressa ao palco. Sem grandes segredos, apenas caminham rapidamente em fila, rumo aos seus postos. Existe, porém, algo de diferente, um quinto elemento empunha uma guitarra: é Charlie Coombez, irmão mais novo de Gaz, conhecido do público brasileiro por ter substituído Rob na apresentação de 2005, em Atibaia.

A empolgante Diamond Hoo Ha Man, primeiro single do novo álbum, como era de se prever, abre os trabalhos. Bad Blood serve de base para Danny soltar a mão à Keith Moon na bateria, e Rebel On You encerra a primeira sessão de novas. Boa recepção, gritos, assovios, mas nada comparado com o resgate de músicas mais antigas. Surpresa com She's So Loose. Brecon Becons, Kiss Of Life, St. Petersburg, essa de entusiasmadíssima recepção.

A presença do Coombez mais novo permite que a banda soe mais próxima do resultado obtido em estúdio. Ele auxilia Gaz na guitarra, sustenta backing vocals com o resto da banda e volta e meia ainda chacoalha algum instrumento de percussão. Algumas mais do disco novo, e força máxima rumo ao final. Vêm Richard III, Eon (outra surpresa) e Moving, onde até os pilares cantaram junto. "I've got blisters on my fingers", alguém da banda gritou, imitando Ringo ao final de Helter Skelter, para risos generalizados no momento de maior interação não-musical entre palco e público. Sun Hits The Sky e a multidão também, braços ao alto, copos de cerveja viajam pelo ar, ocasionalmente um ou outro corpo se insinua sobre as cabeças das pessoas. Caught by the Fuzz e Pumping On Your Stereo fecham a noite.

Alrigth? Nem sinal. A música, aliás, não faz parte do repertório da banda faz anos. E as caras sorridentes que desciam as escadarias da Roundhouse não indicavam que alguém tivesse sentido falta. Talvez de Grace, Mary, Late In The Day, Going Out, Rush Our Soul, ou o par de outras habituais que fariam, sem dificuldades, um set list em separado.

14.1.08

Velho vinil

O retorno do disco de vinil é inegável. Menos de dois anos atrás, já haviam bons sinais disso. Agora, a norte-americana Time diagnostica o inesperado retorno e tenta explicar seus porquês.

Segundo a matéria, quase um milhão de álbuns de vinil foram vendidos nos EUA no ano passado, um aumento de 15,4% em relação ao ano anterior. Ainda um nada de 0,2% de um mercado dominado pelo CD (89,7%). Porém, como lembra a revista, estes dados referem-se apenas a vendas de álbuns novos. Perde-se no cálculo os números das pequenas lojas especializadas que lidam com usados.

O curioso, porém, é constatar que onde quer que se fale em retorno do vinil, as explicações mais óbvias passam pela qualidade do som -- aquela mesma que, no começo dos anos 1990, alardeava-se imbatível no CD.

Parte dessa resistência ao digital é culpa da própria indústria, que nos últimos anos tem feito tudo o que pode para fazer seus lançamentos soarem cada vez piores.

Até onde vai esse retorno é difícil prever. MI acredita que é a única forma que a indústria tem para tentar reverter seu declínio. Para isso, porém, seria preciso convencer o consumidor da geração IPod de que tanto CD quanto download são pálidas amostras do que pode ser a experiência musical se comparadas com um disco de vinil, com seu som encorpado e rico e seus encartes do tamanho de posteres.

Para finalizar, este simpático vídeo do nascimento de um vinil.

15.12.07

Noventistas

Aos poucos vamos azeitando a máquina para colocar MI em pleno funcionamento novamente. Parada rápida para uma descoberta que certamente nem deve ser tão descoberta assim -- levando em conta a urgência dos dias atuais.

Trata-se um trio de Glasgow chamado 1990s, cuja sonoridade orbita entre um Television (embora uma guitarra apenas) e um Talking Heads, passando (ainda que o nome indique outra coisa) por essas centenas de bandas-revival oitentista, mas com vários corpos de dianteira sobre os co-irmãos.

Figuraram na seção Breaking Artist do site da Rolling Stone alguns meses depois de sair o primeiro álbum, "Cookies" (Rough Trade -- 05/2007). Certamente nada pretensioso, mas interessante.

Importante não tomar o single que aparece no vídeo da RS como o todo -- não diz o que é a banda. Prefira este bootleg, de maio passado.

28.10.07

Slash

Se sexo e drogas são a base para uma boa biografia de rock, então Slash entrará direto no top cinco das bios de rock. No Observer da semana passada, um trecho cheio de alucinações, delírios, armas, cobras confirmam essa suspeita.

7.11.06

Cidade do rock

Detroit tem provavelmente a cena musical mais prolífica do planeta desde Seattle. Seja por crise econômica ou pelo fato de o White Stripes não ser o Nirvana da "revolução" musical do início do século, a torrente de dinheiro de gravadoras que afogou a cena do noroeste dos EUA nos anos 1990 não chegou a Detroit -- o que de certa forma permitiu às bandas seguirem seu rumo sem mudanças bruscas de direção.

Desde 2002, James Petix, ao lado de sua namorada Sarah Babila, vem registrando em vídeo a cena musical da cidade com intenção de lançar um documentário. Cinco anos e mais de 200 horas de cenas capturadas depois, "It Came from Detroit" ganhou a luz do dia entre shows de Dirtbombs e Outrageous Cherry, na semana passada na cidade-motor.

Bom bate papo com o diretor no Detroit Free Press. Abaixo, o trailer (2 min) via YouTube.

27.10.06

6.10.06

O brinde de Dave Grohl

Dave Grohl é provavelmente o sujeito mais boa-praça do showbiz. Em maio, Brant Webb e Todd Russell se viram em uma pior quando a mina onde trabalhavam na Tasmânia desmoronou, matando um colega e trancando-os no local por duas semanas. Enquanto a equipe de resgate trabalhava para salvar a vida de ambos, Brant pediu um IPod com músicas do Foo Figthers para passar o tempo. Ao ficar sabendo da situação do fã, Grohl prometeu aos dois que tomaria umas cervejas com os mineiros tão logo fosse à Austrália.

Nessa semana, em um show em Sydney, Grohl cumpriu sua promessa e ainda apresentou uma música em tributo aos sobreviventes do acidente.

23.9.06

Nevermind: 15 anos

Registro apenas para não passar batido. Este domingo marca o aniversário de 15 anos de lançamento de "Nevermind" (na opinião de MI, o mais importante álbum desde "Nevermind The Bollocks", dos Pistols).

No G1, da Globo.com, um especial traz algumas informações interessantes e muita repetição. Vale também dar uma olhada na resenha de três estrelas que a Rolling Stone publicou sobre o disco em novembro de 1991, semanas antes de "Smells like teen spirit" inaugurar musicalmente os anos 1990.

17.9.06

Mais vinil

Por conta do lançamento do novo álbum de Caetano Veloso, "Cê", em uma edição especial em vinil, a Folha Online traz uma matéria atualizando dados sobre a última fábrica de bolachões brasileira, a carioca Poly Som.

Apesar de alguma tendência de fortalecimento lá fora e do aumento de encomendas feitas por artistas de grandes gravadoras, os dados da reportagem mostram que o vinil segue sua lenta e gradual caminhada rumo à virtual inexistência no Brasil. Em 2004, 43 mil discos foram prensados pela tenaz fábrica de Belford Roxo; no ano passado, 32 mil e, nesse ano, 12 mil até agora.

1.8.06

Anúncio oficial

...ou: agosto, o mês do cachorro louco!
A partir de hoje, este blog torna-se oficialmente um morto-vivo. A produção minguada dos últimos dois meses agora é a regra em MI. Quando der na telha, haverá novas postagens. Portanto, amigo leitor, se você vinha com alguma freqüência até este site, sinta-se livre para ocupar seu modem com outra coisa. Visite MI uma vez a cada mês e talvez --eu disse talvez-- você encontre novas postagens.

Obrigado,

11.7.06

2.7.06

Cash, o epílogo

Lançamento oficial é nesta terça-feira. Mas por que esperar até lá? myspace.com/johnnycash

25.6.06

E se...

... jamais tivesse ocorrido um chamado de emergência feito por uma alemã de nome Monika na manhã de 18 de setembro de 1970 em Londres?

... Mark Chapman nunca tivesse se aproximado do edifício Dakota?

...todos aqueles adolescentes que invadem o Père Lachaise pra beber vinho barato e ler poesia realmente estivessem sendo passados para trás por uma farsa monumental?

21.6.06

Cult ao nascer

Um road-movie que faz o caminho inverso da grande migração que esculpiu o blues sulista no coração do norte industrial dos EUA na primeira metade do século passado, preparando o terreno para surgimento do rock. Um filme verdadeiramente independente, que levou mais de uma década para ser concluído, com protagonistas escolhidos nas ruas, entre pessoas comuns. Dirigido por um sujeito cuja primeira experiência foi a produção de um videoclipe para os Gories nos anos '90. Um filme que escapou da enchente que se seguiu ao Katrina, no ano passado, por alguns poucos metros. E, sim, uma obra que propõe o resgate de aspectos desprezados da influência da África Ocidental na cultura dos EUA e que tem Mick Collins e Iggy Pop no elenco.

Wayne County Ramblin' ainda não foi lançado, mas já tem cara de cult. No Detroit Metro Times, uma entrevista com o diretor Dan Rose. Trailer disponível no site oficial.

8.6.06

E tudo mudou quando...

Eu tinha uma banda com Bill Ward chamada Mythology, que pendia pro blues, pro jazz. Mas também tinha um lado totalmente diferente, mais pesado. Lembro uma vez no ensaio, quando eu toquei esse riff que fez os pêlos do meu braço se levantarem. (...) Aquele riff tornou-se "Wicked World". "Black Sabbath" veio logo depois. "Wicked World" ainda tem um clima muito jazz (...). Mas "Black Sabbath" tomou um rumo muito diferente (...).
Tony Iommi, em entrevista à revista Guitar One, sobre o momento em que o som do Sabbath começou a tomar forma. Na página dos caras ainda está no ar a edição do mês passado. Mas logo deve entrar a nova. Esse trecho veio do Blabbermouth.