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28.10.07

Slash

Se sexo e drogas são a base para uma boa biografia de rock, então Slash entrará direto no top cinco das bios de rock. No Observer da semana passada, um trecho cheio de alucinações, delírios, armas, cobras confirmam essa suspeita.

7.11.06

Cidade do rock

Detroit tem provavelmente a cena musical mais prolífica do planeta desde Seattle. Seja por crise econômica ou pelo fato de o White Stripes não ser o Nirvana da "revolução" musical do início do século, a torrente de dinheiro de gravadoras que afogou a cena do noroeste dos EUA nos anos 1990 não chegou a Detroit -- o que de certa forma permitiu às bandas seguirem seu rumo sem mudanças bruscas de direção.

Desde 2002, James Petix, ao lado de sua namorada Sarah Babila, vem registrando em vídeo a cena musical da cidade com intenção de lançar um documentário. Cinco anos e mais de 200 horas de cenas capturadas depois, "It Came from Detroit" ganhou a luz do dia entre shows de Dirtbombs e Outrageous Cherry, na semana passada na cidade-motor.

Bom bate papo com o diretor no Detroit Free Press. Abaixo, o trailer (2 min) via YouTube.

2.7.06

Cash, o epílogo

Lançamento oficial é nesta terça-feira. Mas por que esperar até lá? myspace.com/johnnycash

3.6.06

Lavando pra fora

Em novo álbum, Neil Young pede deposição de Bush
Chega ao Brasil "Living With War", disco em que Young defende o impeachment do presidente dos EUA e ataca a guerra do Iraque. Além de político, o rock do canandense está trepidante como há anos não se via

“Living With War”, trigésimo-segundo álbum de estúdio de Neil Young, é uma coleção de canções sobre política e guerra. Dito assim, pode até parecer pouco. Mas o registro que acaba de chegar às lojas brasileiras em CD é o maior manifesto político de um músico com quatro décadas de carreira, que já condenou a forma como a América foi conquistada e colonizada pelos europeus ("Cortez The Killer"); atacou a repressão aos movimentos pacifistas dos anos 1970 ("Ohio"); retratou as mazelas sociais do país que adotou como lar, os EUA ("Rockin' In A Free World"), e é um notório defensor de causas ambientais.

Nas nove faixas autorais de "Living With War" (Convivendo com a Guerra, em uma tradução livre), o roqueiro canadense, que mora na Califórnia desde meados da década de 1960, foca a campanha militar norte-americana no Iraque. Por 41 minutos e 36 segundos, Young critica a forma como as decisões foram tomadas em Washington; fala das manifestações anti-guerra; defende o diálogo ao lembrar que nem todo o mundo islâmico está ao lado do terror; retrata famílias vendo seus filhos irem para o front e soldados que voltam à terra natal dentro de caixas de madeira. E, na mais controversa das canções do álbum, "Let's Impeach the President", pede a deposição de George W. Bush.

Continue lendo a matéria/resenha aqui

22.2.06

Dream Team

Sinceras desculpas caso esta postagem cheirar a mofo, mas este parece ter sido o acontecimento mais relevante ocorrido nos dias em que minhas preocupações eram apenas fugir de águas-vivas, e ingerir generosas porções de álcool.

Chris Goss e Josh Homme anunciaram que voltarão a trabalhar juntos. Desta vez em uma banda batizada de 5:15ers (alguém arrisca a pronúncia?), que sobe ao palco no próximo domingo, em um festival em Los Angeles. "Nem Masters of Reality nem QOTSA", disse Goss à Billboard, "esta banda será mais 'art fag (???)". Ele também deu pistas de que da reunião possa sair pelo menos um álbum. "Estamos nos focando no show, mas temos conversado sobre gravar um disco".

4.2.06

O ano do blues-rock

Anunciado nesta semana: "Hardest Walk", novo álbum dos Soledad Brothers, deve sair na metade de março nos EUA via Alive Records e ganhará edição em vinil. Segundo Johnny Walker declarou ao Aversion, trata-se do disco que mais deu trabalho à banda até hoje. "Tocamos e gravamos 14 horas por dia, durante 28 dias". A ótima "Downtown Paranoia Blues" está disponível para download no site do selo ou em stream no perfil da banda no MySpace.

Com isso, e com Black Keys e Pearlene trabalhando em novos álbuns, já dá pra antecipar sem exageros: pelo menos um disco de blues-rock de uma banda do meio-oeste norte-americano estará na lista de melhores deste blog ao final do ano.

25.1.06

Prévia de Cash

"Walk The Line", cinebiografia dos primeiros anos da carreira de Johnny Cash, deve chegar aos cinemas nas próximas semanas. Mas no site da Uncut já é possível ver o trailer do filme com o qual Joaquin Phoenix -- ator pessoalmente escolhido por Cash para o papel -- levou o Globo de Ouro.

Aqui.

23.1.06

Depois de Rubber Factory...

"Amplificadores estão crescendo como samambaias no meu quarto", escreveu Dan Auerbach, guitarrista dos Black Keys, no site da banda, revelando que o duo começou a trabalhar nas músicas de um novo álbum. Nada além disso. Nem nome, nem datas.

"The songs are really coming along nicely". Assim esperamos, Dan!

31.12.05

Novo Pearlene a caminho

Algumas músicas do novo Pearlene estão prontas. As informações não vão além disso: nada de data de lançamento ou do nome do álbum. Nem mesmo o site do selo traz novidades. Mas a banda disponibilizou três bons aperitivos. Aparentemente o novo disco segue a linha Stones-‘Exile...’/Fleetwood Mac-Peter Green dos dois discos anteriores, ‘Pearlene’ e ‘Murder Blues & Prayer’ [ambos de 2003]. Mas também há sinais de estar um pouco mais assentado, e menos 'urgente'.

Uma das novas faixas -- simplesmente fabulosa -- entraria na lista de melhores do ano que está ali em abaixo se já tivesse sido 'oficialmente' lançada. ‘Hosannah’, um rock puxado pro blues brilhantemente conduzido por um piano, cheio de guitarras “subterrâneas”, e com uma melodia ultra-radiofônica sem ser forçada.

Em www.myspace.com/pearlene

22.12.05

2005

No ano em que o dólar caiu, permitindo que Stooges e MC5 passassem pelo Brasil, fiquei com cara de bocó, sem grana pra porra nenhuma -- nem Pearl Jam no "quintal" de casa deu pra ver.

Paciência! Agora é torcer para que 2006 continue um desastre para os exportadores e uma maravilha para shows; que meu bolso no próximo ano não ande tão vazio; e fazer aquela listinha de fim de ano. Cinco shows, cinco álbuns, dez músicas, três álbuns descobertos e uma reportagem. Sem ordem, exceto onde indicado. Eis, os melhores do ano para MI:

Shows
1) Arnaldo Baptista, galpão do IBGE (jan)
2) Pata de Elefante, teatro Dante Barone (jan)
3) Walverdes, Garagem Hermética (set)
4) Nação Zumbi, Opinião (out)
5) Felinos, Garagem Hermética (jul)

Álbuns
1) Dirtbombs - "If you Don't Already Have a Look"
2) Supergrass - "Road To Rouen"
3) QOTSA - "Lullabies to Paralyze"
4) Walverdes - "Playback"
5) Black Rebel Motorcycle Club - "Howl"

Músicas
"Set Us Free" - Black Mountain ("Black Mountain" - Álbum)
"Roxy" - Supergrass
"Shuffle Your Feet" - Black Rebel Motorcycle Club
"Here Comes That Sound Again" - Dirtbombs
"Cerveja & Aditivos" - Sonic Volt ("O Diabo Ouve Jazz" - EP)
"In My Head" - QOTSA
"Zombie Hand" - Hater ("The 2nd" - Álbum)
"Malevolosidade" - Superguidis ("Superguidis" - EP)
"Seja Mais Certo" - Walverdes
"Back Of My Hand" - Rolling Stones ("A Bigger Bang" - Álbum)

Álbuns "descobertos" no ano
Al Kooper - "I Stand Alone" (1968)
Masters of Reality - Deep in the Hole (2000)
Bob Dylan & Johnny Cash - Dylan/Cash Sessions (1969)

Reportagem
"We've still got the blues"
, Andy Gill, The Independent

É isso! Um bom 2006 pra todos e aquele abraço!

24.11.05

Brian Jones revisitado

Brian Jones não teria sido expulso dos Rolling Stones por estar permanentemente chapado e sem condições de comparecer aos ensaios. Essa é a principal revelação de uma matéria do The Independent com Anna Wohlin, namorada sueca de Jones à época. Segundo ela, Brian "havia parado com as drogas", desde que fora pego pela polícia um ano antes de morrer afogado em sua piscina. E não comparecia aos ensaios porque, purista do blues que era, estava descontente com os rumos que a banda estava tomando. "Muitas vezes o carro chegava [para levá-lo ao estúdio] e Brian dizia: ‘Anna, você terá de ir lá fora e dizer a eles que eu não vou, eu não quero ir’”.

Na semana passada, saiu lá fora 'Stoned', filme que retrata os últimos dias da vida de Jones.

21.10.05

Bacharach militante

Burt Bacharach, 77 anos, nunca havia escrito uma frase para as suas canções. Ele passou os anos '60 e '70 colecionando sucessos radiofônicos, alheio ao ativismo inflado pelo Vietnã naquelas décadas. "Eu nunca fui uma pessoa política. Escrevi músicas durante a guerra do Vietnã, e não sobre a guerra do Vietnã. Eu estava apenas escrevendo canções de amor, levando minha vida em meu mundo isolado", disse à Reuters.

Pois se aquele caldeirão político de três décadas atrás não tocou Burt, o cenário atual o fez. Para seu novo disco, At This Time, a ser lançado no começo de novembro, o compositor escreveu as letras pela primeira vez. Em "Who Are These People?", Elvis Costello canta, sem meias palavras e com endereço certo:

Who are these people that keep telling us lies / And how did these people get control of our lives / And who'll stop the violence 'cause it's out of control? / Make 'em stop
"Você pode perguntar, 'Como um sujeito que compôs músicas de amor durante toda a sua vida pode ter decidido chutar o balde?'. Eu tinha que fazer isto. É algo muito pessoal para mim", explicou Burt à Reuters, se dizendo enganado pelos motivos que levaram seu país à guerra.

16.10.05

Receita garantida

Pegue um puta cantor com um passado cheio de bons discos e ótimas músicas, mas que -- por motivos que não importam agora -- virou brega e tem uma carreira decadente. Coloque-o em um estúdio com um produtor acima de qualquer suspeita. Mas tem que ser garantido mesmo, um cara em cujo trabalho você confie tanto que seria capaz de comprar até o disco novo do Lenny Kravitz, caso ele fosse o produtor. Certifique-se de que esse produtor está disposto a resgatar a sonoridade antiga do cantor -- um espírito meio "chega de breguice, vamos fazer algo pra que as pessoas lembrem-se que você já foi um cara legal". Presto.

"12 Songs", novo álbum de Neil Diamond, a ser lançado no começo de novembro, leva a assinatura de Rick Rubin. Mais informações, na Billboard. A conferir.

19.8.05

O homem que deu lar ao punk

[Richard] Hell nasceu Richard Meyers, em 1949, no estado de Kentucky. Depois de abandonar o colégio interno, ele chegou ao seu lar espiritual, Nova York, em 1967. No mesmo ano, seu amigo Tom Miller (que logo seria Tom Verlaine) e Patti Smith também chegaram. Todos tornaram-se poetas, uma nova geração de pretendentes a boêmios, com Hell imprimindo pequenas tiragens de seus trabalhos na cozinha de seu minúsculo apartamento. Os três compartilhavam o amor pela auto-destruição de poetas simbolistas franceses como Rimbaud, e também pelo rock. A adolescência de Hell havia sido virada de cabeça para baixo pelo articulado veneno elétrico de Dylan do meio dos '60 e pelo agressivo ataque dos Stones e pares menos refinados como The Kingsmen. Em 1973, depois de ver os New York Dolls, Hell decidiu formar uma banda com Verlaine. Um ano depois, eles estavam no Television. E em 31 de março de 1974, Hell encontrou um lugar para eles tocarem: o CBGB.
Bela matéria do The Independent sobre Richard Hell -- o cara que deu casa e roupas (rasgadas) ao punk rock -- por conta do lançamento da coletânea 'Spurts: The Richard Hell Story'.

4.8.05

Meu presente de Natal favorito

Informação do site do Black Keys: em 4 de outubro a Fat Possum lança nos EUA o primeiro DVD do duo de Ohio. Trata-se da apresentação de 18 de março deste ano em Sydney, na Austrália. Ainda terá uma entrevista com Dan e Pat, os vídeos de '10 AM Automatic' e 'Set You Free' e uma galeria de fotos.

Uncut e o novo Stones

Nesta semana os Rolling Stones liberaram a venda online de três músicas que irão compor o novo álbum da banda. A verdade é que há tempos os discos dos Stones não passam de desculpas para excursionar e agregar fileiras de números às contas bancárias da banda. Mas por ser possivelmente o epílogo dos caras, dá pra apostar que os gigantes egos de Jagger e Richards tenham exaurido forças para criar algo à altura da história dos Stones. Pode ser otimismo exacerbado apostar nos velhinhos depois de trabalhos esforçados mas medianos como 'Bridges to Babyon' [97] e 'Voodoo Lounge' [94], mas...

...a Uncut colocou as mãos em uma cópia de 'A Bigger Bang', que sai no começo de setembro e fez uma mini-resenha do trabalho. O relato é animador. Nada de experimentações, apenas a fórmula Glimmer Twins de fazer rock. Mais: segundo uma fonte da revista, Mick e Keith compuseram as músicas juntos de verdade depois de anos, sugerindo que os últimos "Jagger/Richards" vistos por aí não passavam de encenação.

"É o disco de som mais orgânico que eles fizeram em décadas", afirma a Uncut. Na descrição faixa a faixa, mais elogios. Em 'Rough Justice', que a revista chama "kick-ass rocker", Mick canta put your lips to my hips and tell me what's on your mind. "O fantasma de Muddy Waters caminha" em 'The Back Of My Hand', diz a Uncut, um "blues cru e sujo, slide fantástico, uivos de harmônica, Mick chora como um gato no fogo". 'Oh No, Not You Again' e 'Driving Too Fast', sugere a revista, soam como rocks que eles fizeram 35 anos atrás. Há ainda as típicas baladas, algumas elogiadas pelas letras, outras pelo competente trabalho de guitarras. E "a maior surpresa" fica por conta de 'Sweet Neo Con', onde a banda relembra os tempos de 'Street Fighting Man' e torna-se política. You say you are a Christian, I think you are a hypocrite (...) How come you're so wrong, my sweet neo-con. Precisa dizer pra quem é o recado?

1.8.05

'St. Petersburg', o vídeo

No microsite do novo álbum do Supergrass [RoadtoRouen.com], tem em streaming o videoclipe de 'St. Petersburg', primeiro single de 'Road To Rouen'. Com um bom som estéreo, o clipe mostra a banda tocando em um estúdio com fundo branco e em roupas que parecem vindas do set de "O Poderoso Chefão" -- principalmente o baterista. A única excessão é o baixista. O figurino é o mesmo, mas o cara tá quase irreconhecível sob um cabelão a la irmãos Asheton-1969. Questões visuais à parte, a música parece melhor a cada audição. Um bom refresco pra essa segunda-feira absurdamente calorenta de falso inverno a 30 graus.

21.7.05

Queimem os outros, eis O Definitivo

No comecinho de agosto, sai lá fora "Room Full of Mirrors: A Biography of Jimi Hendrix". Os sinais todos levam a crer que se trata da obra definitiva sobre o cara. Dono de um texto impecável, Charles R. Cross já provou ser excelente biógrafo contando a história de Kurt Cobain em "Mais Pesado Que O Céu". Cross fez mais de 300 entrevistas -- sendo mais da metade dos depoimentos inéditos. Há muitas histórias nunca antes contadas -- ou antes contadas com escassez de detalhes: a infância e a morte prematura da mãe e como isso o afetou pelo resto da vida; a história de como saiu do exército; a briga nos bastidores de Woodstock, onde preferiria ter tocado um set acústico; um show duas semanas depois de Woodstock que o deixou muito mais nervoso; a relação com Miles Davis; a rivalidade com Mick Jagger; a história de dois filhos que deixou no mundo sem conhecer; e a briga pelo espólio do guitarrista, que em 2003 (32 anos depois de sua morte) rendeu 8 milhões de dólares.

Kurt de Van Sant

Pré-estréia amanhã nos EUA "Last Days", o filme de Gus Van Sant "inspirado" em Kurt Cobain. O trailer, em vários formatos e tamanhos, está neste link da Uncut. A verdade é que não mostra muita coisa, apenas o que já se sabia -- que o personagem principal é idêntico ao falecido. Ainda dá pra ter uma pequena amostra da participação de Kim Gordon.

24.6.05

Wockety-wickety-wackety-woo*

Será o maior lançamento de 2005 um reedição? Talvez não, mas com a edição de luxo que a Rhino está preparando para os dois primeiros álbuns dos Stooges as chances são grandes. Segundo a Rolling Stone reporta, 'The Stooges' (1969) e 'Fun House' (1970) sairão cada um em um CD duplo, com extras que vão de demos a takes alternativos, passando por remixagens e músicas "inéditas".

No primeiro álbum, serão 10 novidades, como o mix original de John Cale para 'No Fun', 'Little Doll', 'I Wanna Be Your Dog' e "1969". Em 'Fun House' estarão as duas 'nunca-antes-ouvidas' 'Lost in the Future' e 'Slide (Slidin' the Blues)' -- que na verdade fazem parte da caixa de 2000 'The Complete Fun House Sessions'. "A paixão, a atitude, o poder, a emoção e a destruição deste disco são incalculáveis", escreveu Jack White sobre 'Fun House', no encarte preparado para o lançamento. O também conterrâneo Alice Cooper escreveu o texto que acompanha 'The Stooges'. Ambos chegam às lojas em 16 de agosto.

(*) Expressão usada por Iggy Pop em
entrevista à RS referindo-se ao movimento hippie, seja lá o que isso possa significar.