Uncut e o novo Stones
Nesta semana os Rolling Stones liberaram a venda online de três músicas que irão compor o novo álbum da banda. A verdade é que há tempos os discos dos Stones não passam de desculpas para excursionar e agregar fileiras de números às contas bancárias da banda. Mas por ser possivelmente o epílogo dos caras, dá pra apostar que os gigantes egos de Jagger e Richards tenham exaurido forças para criar algo à altura da história dos Stones. Pode ser otimismo exacerbado apostar nos velhinhos depois de trabalhos esforçados mas medianos como 'Bridges to Babyon' [97] e 'Voodoo Lounge' [94], mas...
...a Uncut colocou as mãos em uma cópia de 'A Bigger Bang', que sai no começo de setembro e fez uma mini-resenha do trabalho. O relato é animador. Nada de experimentações, apenas a fórmula Glimmer Twins de fazer rock. Mais: segundo uma fonte da revista, Mick e Keith compuseram as músicas juntos de verdade depois de anos, sugerindo que os últimos "Jagger/Richards" vistos por aí não passavam de encenação.
"É o disco de som mais orgânico que eles fizeram em décadas", afirma a Uncut. Na descrição faixa a faixa, mais elogios. Em 'Rough Justice', que a revista chama "kick-ass rocker", Mick canta put your lips to my hips and tell me what's on your mind. "O fantasma de Muddy Waters caminha" em 'The Back Of My Hand', diz a Uncut, um "blues cru e sujo, slide fantástico, uivos de harmônica, Mick chora como um gato no fogo". 'Oh No, Not You Again' e 'Driving Too Fast', sugere a revista, soam como rocks que eles fizeram 35 anos atrás. Há ainda as típicas baladas, algumas elogiadas pelas letras, outras pelo competente trabalho de guitarras. E "a maior surpresa" fica por conta de 'Sweet Neo Con', onde a banda relembra os tempos de 'Street Fighting Man' e torna-se política. You say you are a Christian, I think you are a hypocrite (...) How come you're so wrong, my sweet neo-con. Precisa dizer pra quem é o recado?


