3.8.05

Ainda Al

Ensina-se que jornalistas não podem tomar parte nas histórias que contam. Por sorte, na escola por onde o senhor Al Aronowitz passou alguém esqueceu essa parte. Em agosto de 1964, em um hotel em Nova York, ele provocou o mais aguardado encontro daquela década -- mudando o rock para sempre. Os Beatles ainda cantavam "eu quero pegar na tua mão". Bob Dylan contentava-se em apresentar sua música usando apenas sua voz e um violão. Coincidência ou não, depois de serem apresentados por Aronowitz, as letras dos Beatles ficaram mais densas. E Bob Dylan resolveu colocar guitarras e amplificadores no palco. Naquela noite no hotel Delmonico, por obra de Dylan e Al, o encontro teria sido mais "esfumaçado" do que John, Paul, Ringo e George jamais teriam pensado, abrindo as portas para discos como 'Revolver' [66] e 'Sgt. Peppers' [67]. Apenas por isso ele já teria inscrito seu nome na história. Mas Al -- frequentemente descrito como "the godfather of rock journalism" -- conheceu e fez amizade e escreveu sobre praticamente todos os músicos que fizeram alguma diferença nos anos 1960 e foi um dos primeiros jornalistas a levar os beats a sério ao publicar, em 1959, um artigo de doze partes sobre o tema no New York Post. Conquistou com isso a amizade de Jack Kerouac, Allen Ginsberg e Neal Cassady. Al Aronowitz morreu na última segunda-feira, vítima de câncer. Ele tinha 77 anos.