14.1.08
17.9.06
Mais vinil
Por conta do lançamento do novo álbum de Caetano Veloso, "Cê", em uma edição especial em vinil, a Folha Online traz uma matéria atualizando dados sobre a última fábrica de bolachões brasileira, a carioca Poly Som.
Apesar de alguma tendência de fortalecimento lá fora e do aumento de encomendas feitas por artistas de grandes gravadoras, os dados da reportagem mostram que o vinil segue sua lenta e gradual caminhada rumo à virtual inexistência no Brasil. Em 2004, 43 mil discos foram prensados pela tenaz fábrica de Belford Roxo; no ano passado, 32 mil e, nesse ano, 12 mil até agora.
por Wilson a 9:50 PM 0 comentários
Arquivado em audiofilia, curtas, vinil
24.5.06
O zumbi da indústria musical
Já que o assunto recente foram os simpáticos bolachões pretos, e há boas novidades sobre tema, vale mais um post -- mais atual que o anterior, claro. E muito, mas muito mais surpreendente.
"Acuada pela pirataria digital e pelo aumento da relutância do consumidor em pagar por CDs, a indústria musical está contra-atacando com sua mais recente tecnologia -- os discos de vinil". Assim começa a reportagem do The Business, de Londres, a respeito da sobrevida do paralelo mais próximo dos zumbis de George Romero quando o assunto é formato de distribuição de música.
A matéria traz informações estarrecedoras para todos que acreditam que o vinil está enterrado. Segundo o texto, entre 2001 e 2005, as vendas de singles em vinil cresceram seis vezes na Inglaterra, respondendo, no ano passado por 14,7% das vendas de singles (descontadas as vendas de downloads) no país. Nas megastores da Virgin, "até 70% das vendas de lançamentos [de singles] são em vinil", informa uma fonte da loja.
O fenômeno é tão forte que na nova loja da Virgin, a ser inaugurada em Manchester, os velhos toca-discos estarão disponíveis novamente para os consumidores "testarem" o produto antes de levá-lo para casa. A explicação para isso tudo? Os consumidores querem bens tangíveis, mais exclusivos do que o CD, que pode ser replicado em segundos. "O problema com o CD é que se você pode copiá-lo por quase nada, como é possível hoje, por que você iria querer comprar?", diz Roger Daltrey, do The Who, uma das fontes ouvidas pelo jornal.
Agradecimentos pelo link ao Marcos.
por Wilson a 10:42 PM 2 comentários
Arquivado em audiofilia, vinil
23.5.06
Salvos pelo Backup II
Reportagem sobre o "anacrônico" disco de vinil
Texto de abril de 2002
Título original: Resistência a 331/3 RPM
Nota: Este é um rascunho, a versão "quente" não foi "salva pelo backup"
A teimosia dos “bolachões” pouco ou nada tem a ver com a exorbitância cobrada pelos CDs nas famosas “melhores lojas do ramo”. Depois de sua morte ter sido contada e recontada em versões digitais, a única lei que o vinil parece aceitar é a da oferta e da procura. De edições nacionais de álbuns menores dos Rolling Stones da década de oitenta, que crescem como mato em qualquer loja, a edições limitadíssimas ou prensagens originais e importadas, o valor do vinil pode variar do módico 1 real a quantias impensáveis para os bolsos comuns.
“A maioria das pessoas desfaz-se dos discos por problema de espaço”, afirma Edison Tavares, dono de uma loja de discos no centro de Porto Alegre cujo acervo passa fácil os 5 mil títulos. Segundo ele, quem opta pelo velho formato de 12 polegadas -- o que popularizou-se desde a metade da década de 50 – o faz devido a qualidade do produto.
“Quando comprava-se um roupeiro de madeira era um produto para toda a vida, a mesma coisa um carro da década de 70 – tudo bem que gastava muita gasolina, mas naquela época ela era barata. A mesma coisa o vinil. Olha para isso”, diz, segurando um encarte para CD, com seus mirrados 168 cm² de capa, 17% do disponível em um vinil.
Questões sonoras a parte – sempre pautadas por uma velha tese de que o vinil tem os sons graves mais robustos que no CD –, Tavares tem uma tese para explicar a manutenção do interesse à revelia dos interesses da indústria: a exclusividade. “Se colocar um CD em uma máquina e sai uma cópia perfeita dele; com o LP não, tu sabes que é único, não tem como copiar”.
Os 570% de vantagem para a arte da capa o que LP leva sobre o CD não atrai apenas velhos e saudosistas. “As pessoas pensam que só hippie compra LP, o que não é verdade”, elucida.
Apesar de ser um entusiasta do vinil, Tavares crê na convivência pacífica dos diferentes suportes. Tanto que tem em sua loja um balcão para CDs, mas que não chega a fazer volume. Apenas os LPs dos Rolling Stones, campeões de venda, são suficiente para superar em quantidade os CD.
A maioria absoluta do que circula em lojas como a de Tavares foi produzido até 1997, ano em que as principais fábricas gravadoras do país abandonaram o formato. Hoje, com uma única empresa fabricando LPs, o Brasil corre o risco de ser varrido do mapa da resistência a 33 rotações por minuto.
O esforço pela manutenção do vinil deve ser creditado a Nilton José Rocha, proprietário da Poly Som, de onde saem as cerca de 5 mil cópias mensais de LPs brasileiros. E quem mantém a ferrugem longe das máquinas da Poly Som é o movimento Hip Hop e os DJ, que têm o disco de vinil como instrumento de trabalho. É pouco. O que a fábrica produz em um mês é a capacidade diária do maquinário da Poly Som.
E foi das prensas da Poly Som que saíram as 400 cópias de “Olelê Seis Tiros”, versão reduzida do mais recente trabalho da banda gaúcha Ultramen. A banda só não passou os 63 minutos e 54 segundos de “Olelê” para o acetato devido a uma das limitações dos LPs: o tempo. “Teríamos de fazer um disco duplo”, explica Malásia, percusionista da banda, que resolveu de propósito “ir na contramão do que se faz hoje”.
“Seis Tiros” está vendendo cerca de 10 cópias por semana. “Tem gente que nem tem mais toca-discos e está comprando”, comemora Malásia, ele mesmo cliente da loja de Tavares. A banda pretende analisar as vendas de “Seis Tiros” para “tirar uma febre” e ver se vale a pena lançar outros projetos em LP.
PS: Para compreender o sentido da série vá ao post original "Salvos pelo Backup"
por Wilson a 9:41 PM
Arquivado em balaio de velharias, reportagem, vinil


