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5.6.06

Se um fosse dois

"Eu poderia superar o White Stripes com uma guitarra e uma f***ing bateria eletrônica"
Pete Townshend, nem um pouco político, em entrevista à revista nova-iorquina Relix. Infelizmente a entrevista não está disponível online. Pequenas notas no Aversion, no Earvolution e no GigWise.

21.3.06

Conselho do tio Goss

Foi a melhor coisa que já aconteceu. Eu aprendi muito com ele. [A experiência] quase apagou tudo que eu sabia sobre tocar. Ele é um artista/músico incrível. Realmente compreende a estética do rock, do blues e do jazz. (...) Desde que toquei com ele, eu uso Marshalls apenas em palcos grandes. A importância de manter o volume baixo nos ensaios, e poder ouvir todos na banda, [e compreender] a dinâmica. Se você começa tocando alto, não há para onde ir depois.
Chris Goss sobre o que aprendeu com Ginger Baker. Entrevista completa na Modern Guitars Magazine.

14.3.06

Pequeno diabo

Quando você deu aquela risadinha eu fiquei: 'Putz, o que faço agora?'. Ajude-me a voltar a o que eu estava falando porque é importante e você me fez perder a linha de raciocínio
Jesse "The Devil" Hughes, passando uma cantada na repórter durante entrevista ao site LiveDaily, onde fala sobre a turnê do Eagles of Death Metal e "Death by Sexy", novo álbum da banda.

3.3.06

Leituras de final de semana

A natureza corrupta e suja da indústria musical só é superada pelo boxe e, talvez, pela indústria da moda
Johnny Walker, em rápida entrevista ao Aversion, onde fala sobre a mudança na direção sonora dos Soledad Brothers em "Hardest Walk" [Alive], álbum que chega às lojas na semana que vem.

* * *
No jornalismo musical, abusa-se da expressão "seminal" como dos palavrões em "Os Sopranos", mas o Mudhoney é uma das raras bandas para quem o adjetivo verdadeiramente pode ser aplicado
Também no Aversion, matéria sobre a "prolífica" banda de Seattle, que lança na próxima semana seu sétimo álbum de estúdio, "Under a Billion Suns" [Sub Pop].

* * *
A espaçonave do Supegrass flutuou próximo ao solo quase a noite toda, mas quando eles resolveram ligar os motores, ela decolou direto para o espaço, o que era exatamente o que a platéia aguardava
Resenha do LA City Beat, sobre apresentação do Supergrass em Los Angeles, no último dia 22, onde dá pra encontrar boas pistas do que se pode esperar para o show de Atibaia.

* * *
Eu não gosto de perigo, mas a outra opção também é horrível. Nenhum bom trabalho surge quando se vive em total segurança
Ray Davies, em entrevista à Rolling Stone, falando sobre o assalto que sofreu em Nova Orleans em 2004, cidade onde morou e gravou, aos 61, seu primeiro álbum solo, "Other People's Lives" [V2], lançado no mês passado.

1.3.06

Reeder no LACB

Nós simplesmente saímos da estrada tocando em shows gigantescos com o Soundgarden, com 20, 40 mil pessoas por noite. Eu fiz sky-diving, bungee jumping, mas nada se compara a tocar música naquele nível.
Scott Reeder, em matéria-entrevista-perfil do LA City Beat, explicando qual a "pior parte" do fim do Kyuss. Claro que o tema principal é "TunnelVision Brilliance", seu álbum-solo, recém saído via "Liquor & Poker".

Atualização [12:41]: Ali nos comentários, meu bom amigo Álcio lembrou que existe uma entrevista em português com o Reeder, feita por ele mesmo para o Planeta Stoner. Não é porque foi meu camarada que levou o papo com o cara, mas vale a pena.

27.2.06

Cada geração tem o Sid que merece

I created Punk for this day and age. Do you see Britney walking around wearing ties and singing punk? Hell no. That's what I do. I'm like a Sid Vicious for a new generation.
Avril Lavigne (Seventeen Magazine - 2002)

26.2.06

Moonático

Eu cheguei à conclusão de que meu talento como baterista estava sendo desperdiçado em uma banda como os Beachcombers, e a única banda que eu já havia ouvido que soava alta como eu eram os Detours. Então, quando fiquei sabendo que o baterista havia saído, comecei a bolar planos para me apresentar à banda. Eles estavam tocando em um pub perto de onde eu estava, o Oldfield. Eu fui até lá e eles estavam em uma sessão com um baterista. Eu subi ao palco e disse: "Eu posso fazer melhor que ele". Eles disseram para eu ir em frente; sentei na bateria do cara e toquei uma música -- "Road Runner". Eu havia tomado vários drinques para me encorajar e quando estava no palco eu fui arrrrrggGHHHHHHH pra cima da bateria, quebrei um pedal, furei duas peles e cai fora. Imaginei que era isso, estava morto de medo.

Depois de um tempo, eu estava sentado no bar e Pete se aproximou. "Você... vem aqui". Eu respondi delicadamente: "Simsim?". E Roger disse: "O que você vai fazer na próxima segunda?". (...) E foi isso, nunca ninguém me disse "você está na banda". Eles disseram apenas, "O que você vai fazer na próxima segunda?"
Keith Moon, em entrevista à Rolling Stone, em 1971. Entre outras coisas, ele conta como quase morreu afogado achando que discos de surf music poderiam garantir-lhe alguma imunidade frente ao mar. E detalha a famosa história de como enfiou um Lincoln Continental na piscina do Holliday Inn em sua festa de 21 anos.

11.1.06

O Madcap chega aos 60

Roger [Waters] e eu sentávamos com ele depois de ouvir todas as músicas e dizíamos: "Syd, toque essa. Syd, toque aquela". Fazíamos que ele se sentasse em uma cadeira com alguns microfones em frente e fazíamos que cantasse. O potencial de algumas daquelas músicas... elas poderiam ter sido realmente fantásticas. Mas tentar achar a técnica para trabalhar com Syd era tão difícil. Você precisava deixar as músicas pré-gravadas sem ele, trabalhando com uma versão que ele tivesse deixado pronta, e depois fazer Syd sentar-se para tocar e cantar sozinho. Ou então fazer com que ele tocasse sozinho e depois gravar o resto por cima. A idéia de tocar com outras pessoas era verdadeiramente impossível pois ele poderia mudar a música a todo momento. Ele poderia nunca tocar uma música da mesma maneira duas vezes, e acho que isso era deliberado.
Dave Gilmour, no The Independent, sobre as gravações dos álbuns de Syd Barrett, relembrando a convivência com o amigo, que fez 60 anos no último dia 6. Há outros depoimentos ainda. Aqui.

15.12.05

Não é néctar, é pus...

Eu sempre achei que a tradução para “hives” fosse “colméia”. Mas não, a banda usa a palavra em outro sentido. Howlin' Pelle Almqvist explica em uma entrevista ao site PopMatters.

P: Você já teve “hives”?
R: Meu irmão teve.

P: Isso é porco. É um nome esquisito para uma banda.
R: É que quando a gente tinha 14 anos, encontramos [a palavra] no dicionário e dizia que era uma erupção que você tinha quando comia morangos ou outra coisa qualquer e nós achávamos que era mais perigoso do que é. Achávamos que era contagioso.

P: Isso é pereba de nerd.
R: Sim. Mas a gente não sabia disso na época.
Segundo o repórter, Pelle é uma figura “polida e reservada” que “contrasta com a supercarregada energia que emite no palco” quanto está à frente dos The Hives. Vai mais um trecho da entrevista.
P: Vocês todos se vestem com roupas que combinam, e a própria presença de palco tem algo de antigo; e mesmo a música de vocês passa essa impressão. Por que vocês se sentem atraídos por isso?
R: Sim, eu gosto bastante de coisas antigas. Se você realmente gosta de música pelo prazer da música... eu não consigo ver como se pode ser um fã de música e gostar apenas da música atual. Obviamente, o que está acontecendo agora não pode superar os 15 anos passados.

P: Por que obviamente?
R: É um ano comparado a 15. Há mais coisas para escolher se você ouvir música velha também. Eu estou interessado demais em música para ouvir apenas o que for lançado neste ano.
Aqui.

14.11.05

Stooges: aquecimento de motores

Na Ilustrada de hoje, um pequeno tributo jornalístico por conta da vinda ao Brasil da trupe do senhor James Osterberg: os Stooges. Valeu pela iniciativa, ausente quando da passagem do MC5 por aqui, na metade do ano. Mas -- apesar das boas intenções e do esforço -- do conjunto de textos (5 no total, com direito a chamada da capa com foto), um emerge com vários corpos de vantagem à frente dos outros -- o assinado por Legs McNeil, um dos organizadores do "Mate-me por Favor". Vai um trecho, que mostra que não adianta apenas escrever em primeira pessoa, uma boa história é fundamental:

Lembro de dividir uma mesa com ele no pequeno restaurante italiano que ficava na esquina dos nossos apartamentos, quando fomos vizinhos. Eu e Gillian McCain estávamos entrevistando-o para o livro "Mate-me por Favor". Iggy usava uma camisa verde diáfana, jeans apertados e botas à maneira dos Beatles. Não vestia um casaco. Só a camisa diáfana e em seu peito todas as cicatrizes de todos os shows que fizeram a história do punk rock.
Pensei que nem valia a pena escrever o livro: bastava tirar uma foto do peito de Iggy, com "Search and Destroy" tocando em volume ensurdecedor (...).
Boa diversão pra quem tiver o prazer de vê-los.

18.10.05

Josh fora do QOTSA 'dos sonhos'

Uma pequena entrevista com Josh 'capitão do QOTSA' Homme no The Mercury News. Nada imperdível, mas aqui vão as partes mais relevantes. Só a primeira resposta está traduzida na íntegra.

O QOTSA sempre teve formações fluidas. Qual era sua idéia no começo?
Era uma forma de manter a música em movimento e evitar ter que tocar com algum egoista idiota que quer sorvete e não faz nada até conseguir seu sorvete. E evitar que eu me tornasse esse idiota também.

Se você pudesse montar sua formação dos sonhos para o QOTSA -- vivos ou mortos -- quem estaria nela?
Se eu tivesse essa formação dos sonhos, eu não estaria tocando, eu estaria assistindo.

Em 2004, você chutou o Nick Oliveri da banda. Mas quando o primeiro disco sem ele saiu em março, Nick estava dizendo pra imprensa que ele iria retornar ao QOTSA. Ele está fora pra sempre?
Sim, Nick está fora pra sempre.

21.9.05

Chinese (karaokê) rock

Entrevista com Robert Plant de maio passado na Rolling Stone. Curta e quase inútil, não fosse por dois momentos. 1) Rasga elogios para os Black Keys: "Eu adoraria tocar baixo com eles". 2) Revela que uma vez encheu a cara de vodca e cantou 'It's Now or Never' em um karaokê na China.

16.9.05

Três vivas a Waits

Há quem use sua "arte" pra vender refrigerantes, sanduíches, desodorantes, máquinas fotográficas, celulares, computadores, carros ou qualquer outra tralha que engorde os lucros das corporações. E há quem prefira levantar o dedo do meio pra isso tudo. Tom Waits está entre os últimos. No ano passado, ele foi procurado pra compor a música do comercial de um novo carro da GM alemã. Foi direto: disse não ter interesse em "associar-se a qualquer campanha publicitária ou coisa que o valha". Apesar da recusa, parece que nenhuma idéia melhor surgiu na agência, que criou o comercial com uma pessoa cantando com uma voz "semelhante" à de Waits. Agora, ele abriu um processo contra a agência e o fabricante. Eis suas palavras:

Aparentemente a mais alta honra que nossa cultura dá aos artistas hoje em dia é estar em uma propaganda. (...) Antecipada e repetidamente eu abro mão dessa duvidosa honraria. (...) Já que os tribunais não podem me fazer ativo no rádio, estou pedindo para que me tornem radioativo aos anunciantes

9.9.05

As voltas que o mundo dá

[Rock é] A música para o desfile de todo delinqüente com suíças sobre o planeta
Frank Sinatra, que em 1960 criou a Reprise Records -- selo que hoje dá abrigo a Neil Young, Green Day, Eric Clapton, Metallica, RHCP, Lou Reed...

9.8.05

Não há nada pra se fazer em Detroit

Ah, se a MTV apresentasse algo desse nível uma vez por ano que fosse... De passagem pela França, Mick Collins, cacique dos Dirtbombs, concedeu uma entrevista em vídeo pra um site (TV?) local. Só pelos trechos da banda no palco, já vale cada segundo dos 16 minutos de streaming. Mas o centro da coisa é a entrevista do Collins, que é muito figuraça. Ele chamou as grandes gravadoras de "dinossauros"; disse que é totalmente favorável ao compartilhamento de mp3; falou que o sentido dos Dirtbombs está mais nos singles em vinil da banda do que nos álbuns (mas o verdadeiro sentido são os shows); contou que vai lançar um disco de música eletrônica; que é escritor de contos (dois lançados, sendo que um nem mesmo ele sabe explicar direito do que se trata); que tem outra banda, os Voltaire Brothers (funk); que vai criar um selo...

Mas o impressionante é a parte onde ele explica como funciona a cena musical de Detroit:

Eu sou de Detroit, onde nós nunca nos preocupamos em alcançar um grande número de pessoas. Economicamente, Detroit é uma cidade em crise, não existe nada pra fazer. Não há nada mais a fazer além de ter uma banda. Há apenas dois ou três clubes decentes, não existe nada lá. Então se você quer entretenimento, você mesmo precisa fazê-lo. Nós tocamos para os nosso amigos. Todo mundo tem uma banda (...) são as mesmas pessoas o tempo todo. (...) Os grandes shows não vão para a cidade então temos que fazer os nossos.
Onde será que eu já ouvi essa mesma história antes?!?

26.7.05

Kramer em português

No aquecimento para vir ao Brasil, Wayne Kramer concedeu entrevista ao UOL Música. Eis os momentos mais inspirados:

Ingênuos hippies -- Sempre achei que paz e amor eram coisas boas, mas que têm de ser amparadas por ativismo político
Jazz, motor do avanço -- Nós queríamos expandir a música para além dos limites que ela tinha alcançado até então. E este era um movimento musical, não tanto do rock, mas do jazz: do free jazz
1, 2, 3... punk -- Eu gosto muito de Clash e Elvis Costello. Mas eu achava que algumas músicas de outros grupos [de punk dos anos 70] eram muito retrôs, muito presas às convenções dos três acordes
Pasmaceira -- O problema é que não está acontecendo nada de muito interessante no rock agora...

20.7.05

Entrevistinha

Mais uma tirada daquele achado que são os arquivos da Creem.

A honra de publicar a mais curta entrevista de Bob Dylan coube à revista de Detroit, feito "reconhecido" pelo Guinness, diz o texto (óbvio que se trata apenas de uma piada). Dylan tocava no Japão, em 1979. Jeffrey Morgan, o repórter, encontrava-se na primeira fila. Segue-se a tradução do "diálogo":

Dylan: O próximo número é uma música que eu fiz com a The Band. Vocês lembram da The Band, não? Saiu em um disco chamado 'Planet Waves' [1974]. Que vendeu doze cópias.
Creem: Por quê?
Dylan: Tirem esse cara daqui.
Segundo a revista, o cara perdeu o resto do show, mas saiu dizendo ter participado de um grande momento da história do rock, "quase tão bom" quanto no dia em que ele perguntou a Lou Reed se ele tinha medo da morte.

Só os pirados da Creem e o mal-humorado do Dylan pra protagonizar uma dessas.

15.7.05

50% do Black Keys não gosta de blues

O duo de blues-rock mais fodão da atualidade não é formado por dois amantes do blues como seria muito fácil acreditar. Em uma matéria publicada pelo semanário Riverfront Times, Dan Auerbach entrega que seu colega de Black Keys, o baterista Patrick Carney, não é muito chegado ao estilo. Diz Auerbach:

Eu sou influenciado pelo blues. Pat definitivamente não é influenciado pelo blues. Ele odeia a maior parte. Ele gosta de algumas coisas que eu mostrei a ele, como Howlin' Wolf ou coisas do gênero, mas da maior parte ele realmente não gosta.
O guitarrista fala ainda na matéria sobre a relação deles com sua cidade natal, Akron; a "cena" musical no lugar; e a surpresa da banda em quanto ao "sucesso" alcançado.

3.7.05

Keith do Who

[É o] Elvin Jones do rock enquanto finge ser um chimpanzé.
Dos arquivos da Creem, em 1976.

23.6.05

Do baú empoeirado: Barrett

Syd está agora com 25 anos, e preocupado com a idade. "Eu não era introvertido assim", diz. "Eu penso que jovens deveriam se divertir. Mas parece que eu nunca me divirto". De repente ele aponta para a janela. "Você viu as rosas? Tem um montão de cores." Syd diz que não toma mais ácido, mas ele não quer falar sobre o assunto... "Não há nada para falar." Ele vai até o jardim e esparrama-se em um velho banco de madeira. "Uma vez que você está dentro de algo....", diz, parecendo bastante confuso. Então ele pára. "Não creio que eu seja uma pessoa fácil para se conversar a respeito. Eu tenho uma cabeça muito irregular. E eu não sou nada disso que você pensa que eu sou".
Trecho de reportagem da Rolling Stone sobre Syd Barrett, publicada originalmente em dezembro de 1971 e recuperada agora no site da revista.