28.10.07
8.6.06
E tudo mudou quando...
Eu tinha uma banda com Bill Ward chamada Mythology, que pendia pro blues, pro jazz. Mas também tinha um lado totalmente diferente, mais pesado. Lembro uma vez no ensaio, quando eu toquei esse riff que fez os pêlos do meu braço se levantarem. (...) Aquele riff tornou-se "Wicked World". "Black Sabbath" veio logo depois. "Wicked World" ainda tem um clima muito jazz (...). Mas "Black Sabbath" tomou um rumo muito diferente (...).Tony Iommi, em entrevista à revista Guitar One, sobre o momento em que o som do Sabbath começou a tomar forma. Na página dos caras ainda está no ar a edição do mês passado. Mas logo deve entrar a nova. Esse trecho veio do Blabbermouth.
por Wilson a 1:00 AM 3 comentários
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8.5.06
Um trabalho para Jack Bauer
Kiefer Sutherland gosta de música. Rock particularmente. Passou os últimos vinte anos colecionando guitarras Gibson. Mas recentemente resolveu levar esse hobby ainda mais a sério ao abrir um selo/estúdio em Los Angeles, o Ironworks. Aproveitou também para virar tour manager de uma das bandas contratadas. Mas o The Guardian relembra a Kiefer: às vezes ser responsável por uma turnê pode ser mais perigoso do que fazer o trabalho de Jack Bauer.
Confira a lista do Guardian para os dez maiores abacaxis que tour managers já tiveram que descascar; e os cinco "nunca faça isso".
por Wilson a 2:51 PM 1 comentários
3.5.06
Sobreviventes do hype
Prestes a lançar um EP e já gravando o terceiro álbum da carreira, os Datsuns estão no The Independent. O repórter, que conheceu a banda ainda em 2002, antes do álbum de estréia, e hospedou os neozelandeses no chão de sua casa por seis semanas, conta que quase viu a campainha de seu telefone derreter com o desejo desesperado de gravadoras para contratar o que a imprensa -- particularmente inglesa -- vinha considerando ser the next big thing.
Apesar de todo o hype e de histórias bizarras que podem corromper a moral e virar a cabeça de qualquer um -- como o caso do executivo da Atlantic que disse ter cruzado o oceano em um Concorde para uma reunião com os músicos em Londres -- a matéria mostra uma banda com os pés no chão. "É risível", diz a certa altura o baixista e vocalista Dolf de Borst. "É uma indústria ridícula que pode magoar algumas pessoas, mas ao mesmo tempo pode ser impressionante."
O primeiro trabalho depois do pouco comentado "Outta Sight/Outta Mind" [2004], o EP "Stuck Here For Days" -- edição limitada e exclusiva em vinil -- parece preparar o caminho para uma uma banda um pouco diferente. Alguns elementos acústicos, mas com a mesma pegada anterior, como confirma a faixa homônima, já disponível no MySpace da banda e em TheDatsuns.com, onde também se pode ouvir as outras três faixas que completam o EP.
por Wilson a 1:21 AM 1 comentários
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21.3.06
Conselho do tio Goss
Foi a melhor coisa que já aconteceu. Eu aprendi muito com ele. [A experiência] quase apagou tudo que eu sabia sobre tocar. Ele é um artista/músico incrível. Realmente compreende a estética do rock, do blues e do jazz. (...) Desde que toquei com ele, eu uso Marshalls apenas em palcos grandes. A importância de manter o volume baixo nos ensaios, e poder ouvir todos na banda, [e compreender] a dinâmica. Se você começa tocando alto, não há para onde ir depois.Chris Goss sobre o que aprendeu com Ginger Baker. Entrevista completa na Modern Guitars Magazine.
por Wilson a 4:51 PM 2 comentários
15.3.06
Mais Campari
O UOL Música entra no clima do Campari Rock e traz duas entrevistas com membros das principais bandas do festival. Na semana passada quem falou foi Peter Prescott, batera Mission of Burma. O papo atém-se um pouco demais ao passado (até compreensível por ser uma banda "obscura" e ter feito uma parada de duas décadas), mas vale a pena para descobrir, por exemplo, que o MoB parou no começo dos anos ’80 por causa de um problema auditivo de um dos membros.
Ontem foi a vez do Supergrass. Nada imperdível, mas mesmo assim digno de nota. Entre outras coisas, o baixista Mick Quinn confirma o formato "crescendo" do show que a banda deve apresentar em Atibaia. "Nós fizemos uma grande turnê acústica no ano passado. A partir dessa turnê, criamos este set que começa acústico e vai crescendo até se tornar uma grande apresentação de rock no final. Esse é nosso conceito atual". Quinn conta também que as músicas de "Road To Rouen" -- concebidas a base de "muito folk progressivo dos anos ’60" -- serão sim a base da apresentação.
Gracias, Tiago!
por Wilson a 8:35 PM 1 comentários
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10.3.06
A distorção está no sangue
[Daniel] Davies, 24 anos, cresceu na estrada com a banda de seu pai [Dave Davies, guitarrista dos Kinks] e lembra de longas horas nos ônibus da turnê, jogando Pac-Man e observando diferentes lugares do mundo.Trecho de uma boa reportagem do The Albuquerque Tribune sobre o Year Long Disaster, banda recentemente referida com entusiasmo no blog do Álcio como "um verdadeiro colosso". O jornal relata como Dave --também afilhado do diretor John Carpenter-- encontrou seu parceiro de banda, Rich Mullins (Karma To Burn), com quem compartilhou hábitos que acabaram levando ambos para uma clínica de reabilitação dois anos atrás. E conta ainda como a "invenção extra-oficial" do pai de Daniel colocou "distorção em seu sangue".
"Eu fui exposto a coisas diferentes do padrão, acredito", diz Davies. "Eu estava na estrada duas semanas depois de ter nascido, voando por várias cidades do mundo até os nove anos. Hotéis, coisas doidas acontecendo. Música em todo lugar. Eu estava assistindo a vida rock 'n' roll".
Mas enquanto a influência da família, sem dúvida, o transformou, [sua banda] Year Long Disaster não herdou o som lírico e eclético dos Kinks.
Eles soam como eles mesmo, influenciados mais por ZZ Top, Lynyrd Skynyrd e AC/DC do que pelas influências dos Kinks, Big Bill Broonzy, Chuck Berry e Noël Coward.
"Tentamos nos manter longe do metal e apenas fazer um som como o bom e velho rock 'n' roll, mas um pouco mais pesado, mais moderno, mais [Black] Sabbath", diz Davies, vocalista e guitarrista da banda.
por Wilson a 10:11 PM 1 comentários
3.3.06
Leituras de final de semana
A natureza corrupta e suja da indústria musical só é superada pelo boxe e, talvez, pela indústria da modaJohnny Walker, em rápida entrevista ao Aversion, onde fala sobre a mudança na direção sonora dos Soledad Brothers em "Hardest Walk" [Alive], álbum que chega às lojas na semana que vem.
No jornalismo musical, abusa-se da expressão "seminal" como dos palavrões em "Os Sopranos", mas o Mudhoney é uma das raras bandas para quem o adjetivo verdadeiramente pode ser aplicadoTambém no Aversion, matéria sobre a "prolífica" banda de Seattle, que lança na próxima semana seu sétimo álbum de estúdio, "Under a Billion Suns" [Sub Pop].
* * *
A espaçonave do Supegrass flutuou próximo ao solo quase a noite toda, mas quando eles resolveram ligar os motores, ela decolou direto para o espaço, o que era exatamente o que a platéia aguardavaResenha do LA City Beat, sobre apresentação do Supergrass em Los Angeles, no último dia 22, onde dá pra encontrar boas pistas do que se pode esperar para o show de Atibaia.
Eu não gosto de perigo, mas a outra opção também é horrível. Nenhum bom trabalho surge quando se vive em total segurançaRay Davies, em entrevista à Rolling Stone, falando sobre o assalto que sofreu em Nova Orleans em 2004, cidade onde morou e gravou, aos 61, seu primeiro álbum solo, "Other People's Lives" [V2], lançado no mês passado.
1.3.06
Reeder no LACB
Nós simplesmente saímos da estrada tocando em shows gigantescos com o Soundgarden, com 20, 40 mil pessoas por noite. Eu fiz sky-diving, bungee jumping, mas nada se compara a tocar música naquele nível.Scott Reeder, em matéria-entrevista-perfil do LA City Beat, explicando qual a "pior parte" do fim do Kyuss. Claro que o tema principal é "TunnelVision Brilliance", seu álbum-solo, recém saído via "Liquor & Poker".
Atualização [12:41]: Ali nos comentários, meu bom amigo Álcio lembrou que existe uma entrevista em português com o Reeder, feita por ele mesmo para o Planeta Stoner. Não é porque foi meu camarada que levou o papo com o cara, mas vale a pena.
por Wilson a 12:19 AM 2 comentários
26.2.06
Moonático
Eu cheguei à conclusão de que meu talento como baterista estava sendo desperdiçado em uma banda como os Beachcombers, e a única banda que eu já havia ouvido que soava alta como eu eram os Detours. Então, quando fiquei sabendo que o baterista havia saído, comecei a bolar planos para me apresentar à banda. Eles estavam tocando em um pub perto de onde eu estava, o Oldfield. Eu fui até lá e eles estavam em uma sessão com um baterista. Eu subi ao palco e disse: "Eu posso fazer melhor que ele". Eles disseram para eu ir em frente; sentei na bateria do cara e toquei uma música -- "Road Runner". Eu havia tomado vários drinques para me encorajar e quando estava no palco eu fui arrrrrggGHHHHHHH pra cima da bateria, quebrei um pedal, furei duas peles e cai fora. Imaginei que era isso, estava morto de medo.Keith Moon, em entrevista à Rolling Stone, em 1971. Entre outras coisas, ele conta como quase morreu afogado achando que discos de surf music poderiam garantir-lhe alguma imunidade frente ao mar. E detalha a famosa história de como enfiou um Lincoln Continental na piscina do Holliday Inn em sua festa de 21 anos.
Depois de um tempo, eu estava sentado no bar e Pete se aproximou. "Você... vem aqui". Eu respondi delicadamente: "Simsim?". E Roger disse: "O que você vai fazer na próxima segunda?". (...) E foi isso, nunca ninguém me disse "você está na banda". Eles disseram apenas, "O que você vai fazer na próxima segunda?"
por Wilson a 11:57 AM 2 comentários
11.1.06
O Madcap chega aos 60
Roger [Waters] e eu sentávamos com ele depois de ouvir todas as músicas e dizíamos: "Syd, toque essa. Syd, toque aquela". Fazíamos que ele se sentasse em uma cadeira com alguns microfones em frente e fazíamos que cantasse. O potencial de algumas daquelas músicas... elas poderiam ter sido realmente fantásticas. Mas tentar achar a técnica para trabalhar com Syd era tão difícil. Você precisava deixar as músicas pré-gravadas sem ele, trabalhando com uma versão que ele tivesse deixado pronta, e depois fazer Syd sentar-se para tocar e cantar sozinho. Ou então fazer com que ele tocasse sozinho e depois gravar o resto por cima. A idéia de tocar com outras pessoas era verdadeiramente impossível pois ele poderia mudar a música a todo momento. Ele poderia nunca tocar uma música da mesma maneira duas vezes, e acho que isso era deliberado.Dave Gilmour, no The Independent, sobre as gravações dos álbuns de Syd Barrett, relembrando a convivência com o amigo, que fez 60 anos no último dia 6. Há outros depoimentos ainda. Aqui.
por Wilson a 3:10 PM 1 comentários
2.1.06
KOTJ: o relato de Kramer
Nesses tempos de pouca produção, o negócio é se valer de arquivos para manter a máquina em funcionamento. Com um pouco de sorte dá pra achar verdadeiras pérolas. Como Wayne Kramer relembrando para a LA Weekly, em novembro de 1998, a gravação de Kick Out The Jams, que comemorava 30 anos à época.
Enquanto redator, Kramer pode não ter 10% da habilidade que demonstra à guitarra. Porém, além de ser uma das três pessoas vivas mais habilitadas a falar sobre o assunto, ele aplica às frases a mesma estética energética que costuma acompanhá-lo no palco. O resultado é um texto forte na descrição ambiental -- talvez o mais próximo que se possa chegar do que se passou no Grand Ballroom naquela noite de outubro de '68 sem ouvir o disco -- redigido por uma pessoa consciente, desde o princípio, de que os Five estavam fazendo mais que um disco; eles estavam entalhando seus nomes no DNA do rock e alterando-o para sempre.
A vontade que dá no caso deste texto é traduzi-lo na íntegra, mas tomaria muito tempo. Vai um trecho mínimo, onde Kramer relata a intimidade que a banda tinha com o palco da gravação.
O MC5 tocou [no Grand Ballroom] toda sexta e sábado à noite por quase três anos. Éramos a “banda da casa”. (...) Tocávamos tão freqüentemente que (...) [sabíamos como] fazer as coisas trabalharem a nosso favor. O lugar havia sido projetado para bandas acústicas, com sopros, piano, baixo acústico, talvez um microfone para o vocalista, mas nada como o que levamos para o palco. Éramos a primeira banda de Detroit a ter o novo amplificador inglês “Super Beatle” de 100 watts da Vox, e eles eram barulhentos. Mais barulhentos do que qualquer outra banda nas redondezas. Nós éramos os Reis do Volume. Os donos de clubes de todo o Meio-Oeste nos invejavam por causa daqueles amplificadores, e nos os tocávamos alto e orgulhosos. O Grand Ballroom podia assimilar aquele volume. Era perfeito.Se algum texto merece ser qualificado de "imperdível", não tenho dúvidas de que é esse: aqui.
por Wilson a 11:45 AM 1 comentários
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22.12.05
2005
No ano em que o dólar caiu, permitindo que Stooges e MC5 passassem pelo Brasil, fiquei com cara de bocó, sem grana pra porra nenhuma -- nem Pearl Jam no "quintal" de casa deu pra ver.
Paciência! Agora é torcer para que 2006 continue um desastre para os exportadores e uma maravilha para shows; que meu bolso no próximo ano não ande tão vazio; e fazer aquela listinha de fim de ano. Cinco shows, cinco álbuns, dez músicas, três álbuns descobertos e uma reportagem. Sem ordem, exceto onde indicado. Eis, os melhores do ano para MI:
Shows
1) Arnaldo Baptista, galpão do IBGE (jan)
2) Pata de Elefante, teatro Dante Barone (jan)
3) Walverdes, Garagem Hermética (set)
4) Nação Zumbi, Opinião (out)
5) Felinos, Garagem Hermética (jul)
Álbuns
1) Dirtbombs - "If you Don't Already Have a Look"
2) Supergrass - "Road To Rouen"
3) QOTSA - "Lullabies to Paralyze"
4) Walverdes - "Playback"
5) Black Rebel Motorcycle Club - "Howl"
Músicas
"Set Us Free" - Black Mountain ("Black Mountain" - Álbum)
"Roxy" - Supergrass
"Shuffle Your Feet" - Black Rebel Motorcycle Club
"Here Comes That Sound Again" - Dirtbombs
"Cerveja & Aditivos" - Sonic Volt ("O Diabo Ouve Jazz" - EP)
"In My Head" - QOTSA
"Zombie Hand" - Hater ("The 2nd" - Álbum)
"Malevolosidade" - Superguidis ("Superguidis" - EP)
"Seja Mais Certo" - Walverdes
"Back Of My Hand" - Rolling Stones ("A Bigger Bang" - Álbum)
Álbuns "descobertos" no ano
Al Kooper - "I Stand Alone" (1968)
Masters of Reality - Deep in the Hole (2000)
Bob Dylan & Johnny Cash - Dylan/Cash Sessions (1969)
Reportagem
"We've still got the blues", Andy Gill, The Independent
É isso! Um bom 2006 pra todos e aquele abraço!
por Wilson a 6:00 AM 1 comentários
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15.12.05
Não é néctar, é pus...
Eu sempre achei que a tradução para “hives” fosse “colméia”. Mas não, a banda usa a palavra em outro sentido. Howlin' Pelle Almqvist explica em uma entrevista ao site PopMatters.
P: Você já teve “hives”?Segundo o repórter, Pelle é uma figura “polida e reservada” que “contrasta com a supercarregada energia que emite no palco” quanto está à frente dos The Hives. Vai mais um trecho da entrevista.
R: Meu irmão teve.
P: Isso é porco. É um nome esquisito para uma banda.
R: É que quando a gente tinha 14 anos, encontramos [a palavra] no dicionário e dizia que era uma erupção que você tinha quando comia morangos ou outra coisa qualquer e nós achávamos que era mais perigoso do que é. Achávamos que era contagioso.
P: Isso é pereba de nerd.
R: Sim. Mas a gente não sabia disso na época.
P: Vocês todos se vestem com roupas que combinam, e a própria presença de palco tem algo de antigo; e mesmo a música de vocês passa essa impressão. Por que vocês se sentem atraídos por isso?Aqui.
R: Sim, eu gosto bastante de coisas antigas. Se você realmente gosta de música pelo prazer da música... eu não consigo ver como se pode ser um fã de música e gostar apenas da música atual. Obviamente, o que está acontecendo agora não pode superar os 15 anos passados.
P: Por que obviamente?
R: É um ano comparado a 15. Há mais coisas para escolher se você ouvir música velha também. Eu estou interessado demais em música para ouvir apenas o que for lançado neste ano.
por Wilson a 5:57 PM 3 comentários
29.11.05
A montagem do zepelim
Chame de azar, mau momento ou o que for, mas, de uma banda de vanguarda, ouvida e imitada por todo aspirante [a roqueiro], os Yardbirds transformaram-se, em apenas 18 meses, em uma força exaurida pronta a encerrar seus trabalhos, em maio de 1968.Assim começa uma matéria rica em detalhes do The Independent sobre a trajetória de cinco meses entre a dissolução dos Yardbirds e o nascimento do Led Zeppelin. Para fãs obstinados do Zep talvez não exista novidade, mas é possível que fãs não tão dedicados possam aproveitar alguma coisa.
(...) Eles fizeram sua última aparição no Fillmore Ballroom de São Francisco, dentro de uma programação bizarra que incluía o inflexível pianista de jazz Cecil Taylor e a banda de rock-com-violinos A Beautiful Day. Os doidões da audiência devem ter ficado mais confusos do que o normal naquelas três noites.
E tudo isso sabendo-se que, acontecesse o que fosse, os Yardbirds haviam acabado. As notícias de uma iminente separação haviam vazado na imprensa musical da Inglaterra. A Melody Maker publicou uma nota curta: "O fim dos Yardbirds é esperado para quando a banda voltar dos EUA... O guitarrista Jimmy Page deverá reformular a banda com novos vocalista e baterista para substituir Keith Relf e Jim McCarty".
Bom exemplo é a curiosa informação de que, nas negociações para contar com Bonham na banda, Page enviou-lhe vários telegramas, todos endereçados ao pub que o baterista freqüentava em Birmingham. Ou ainda uma pequena correção na lenda de que teria sido Keith Moon o criador do nome do Zep. Na verdade, segundo a matéria, teria sido Moon e John Entwistle, mas de forma indireta, ao referirem-se, ainda em 1966, a uma banda que Page, Jeff Beck e os dois Who cogitavam montar – tal formação teria o mesmo destino de um “balão de chumbo”. Page guardou a idéia por dois anos, deu uma reformulada nela e batizou sua nova banda. Aqui.
por Wilson a 9:01 PM 3 comentários
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28.11.05
Festa grunge (15 anos depois)
São raras as vezes em que a Zero Hora serve pra alguma coisa, mas elas acontecem. E não apenas na Semana Santa. Duas boas entrevistas publicadas hoje no Segundo Caderno: uma com Jeff Ament, baixista do Pearl Jam; e outra com Mark Arm, vocal do Mudhoney.
Ament, confrontado à pergunta do momento [mp3], deixa claro que gostaria que tudo fosse como antes dos anos 1990. Em momento algum disse que se sente roubado ou algo do gênero. Para ele, é apenas questão de qualidade sonora. "A qualidade já baixou quando mudou para CD", declarou. "E piorou com o MP3. Quando pego um vinil e ouço Innervisions, do Stevie Wonder, ou algo do Marvin Gaye, ou do Led Zeppelin. É incrível como soa bem. Consigo ouvir muito mais do que no tocador de MP3".
Ele fala também do começo da cena de Seattle. De alguma forma, a explicação que ele dá para o que rolou lá não serve apenas para a cena Grunge. Ela demonstra o quanto o sucesso pode ser devastador, em qualquer cena, em qualquer lugar.
Houve um período, entre 1988 e 1991, em que a cena era pequena, mas as pessoas começaram a falar. O Soundgarden conseguiu um contrato, o Mother Love Bone, também. Daí, o Nirvana começou a acontecer. O legal de sermos uma turminha é que todos se viam sempre, íamos aos mesmos bares, cafés, restaurantes. De repente, lá por 1992, a coisa explodiu, e não nos víamos mais. Muita gente não voltou, morreu, algumas bandas se separaram. A fama afetou a todos. Lá por 1993, não tínhamos mais aquela comunidade. De repente, estava tudo diferente, amigos não se falam mais. Agora só restou o Mudhoney, e vamos viajar com eles.Já o Mark Arm é um baita tirador de sarro. Provocou o entrevistador quando perguntado como seria o novo disco do Mudhoney em relação aos anteriores -- "Não sou o jornalista aqui. Não faço comparações entre meus próprios álbuns, esse é o seu trabalho", disse, entre risos. Divertiu-se com a própria resposta sobre ter fãs mais novos que a banda: "Achamos o máximo! Significa que nossa música transcende o tempo, quer dizer... Isso soou bem brega, né?" E ainda relembrou ter assistido a um "show ótimo" de uma "velha e legendária banda punk de Porto Alegre" [Replicantes], na última passagem por aqui.
por Wilson a 6:29 PM 1 comentários
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25.11.05
A vida no deserto de Brant Bjork
Essa vai em especial pro Álcio. No LA Weekly, o ex-batera do Kyuss e do Fu Manchu explica sua preferência por sua pequena Joshua Tree; seu amor ao rock do fim dos '60, começo dos '70 – de onde tirou a inspiração para seu novo trabalho, “Saved By Magic”; e dá ainda algumas sapatadas na mercantilização do rock, dominado hoje por um grupo de corporações com "poder e dinheiro para transformar cinco dólares em dez".
Divertidíssimo o trecho sobre a passagem do Kyuss pela Austrália com o Metallica:
Nós [Kyuss] tínhamos sonhos, mas não os levávamos muito a sério. Na primeira vez que fomos a Nova York foi algo como “É isso, conseguimos. Podemos parar agora”. E então a coisa continuava indo cada vez mais. Quando fomos pra Austrália pensávamos “quem vai nos conhecer na Austrália?”. E na primeira noite, havia centenas de pessoas. Ducaralho. Você podia sentir o chão tremer. Na verdade, o operador de som do Metallica chegou na primeira noite e disse para o Hutch [operador do Kyuss]: “vocês terão todo o PA a disposição. Vocês podem detonar. Não se preocupe, cara, está tudo bem”. Hutch olhou pra nós e disse: “Porra: legal!” Na noite seguinte, nós já não tínhamos o PA.Aqui, a íntegra do texto.
por Wilson a 6:12 PM 1 comentários
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24.11.05
Brian Jones revisitado
Brian Jones não teria sido expulso dos Rolling Stones por estar permanentemente chapado e sem condições de comparecer aos ensaios. Essa é a principal revelação de uma matéria do The Independent com Anna Wohlin, namorada sueca de Jones à época. Segundo ela, Brian "havia parado com as drogas", desde que fora pego pela polícia um ano antes de morrer afogado em sua piscina. E não comparecia aos ensaios porque, purista do blues que era, estava descontente com os rumos que a banda estava tomando. "Muitas vezes o carro chegava [para levá-lo ao estúdio] e Brian dizia: ‘Anna, você terá de ir lá fora e dizer a eles que eu não vou, eu não quero ir’”.
Na semana passada, saiu lá fora 'Stoned', filme que retrata os últimos dias da vida de Jones.
por Wilson a 6:35 PM
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14.11.05
Stooges: aquecimento de motores
Na Ilustrada de hoje, um pequeno tributo jornalístico por conta da vinda ao Brasil da trupe do senhor James Osterberg: os Stooges. Valeu pela iniciativa, ausente quando da passagem do MC5 por aqui, na metade do ano. Mas -- apesar das boas intenções e do esforço -- do conjunto de textos (5 no total, com direito a chamada da capa com foto), um emerge com vários corpos de vantagem à frente dos outros -- o assinado por Legs McNeil, um dos organizadores do "Mate-me por Favor". Vai um trecho, que mostra que não adianta apenas escrever em primeira pessoa, uma boa história é fundamental:
Lembro de dividir uma mesa com ele no pequeno restaurante italiano que ficava na esquina dos nossos apartamentos, quando fomos vizinhos. Eu e Gillian McCain estávamos entrevistando-o para o livro "Mate-me por Favor". Iggy usava uma camisa verde diáfana, jeans apertados e botas à maneira dos Beatles. Não vestia um casaco. Só a camisa diáfana e em seu peito todas as cicatrizes de todos os shows que fizeram a história do punk rock.
Pensei que nem valia a pena escrever o livro: bastava tirar uma foto do peito de Iggy, com "Search and Destroy" tocando em volume ensurdecedor (...).Boa diversão pra quem tiver o prazer de vê-los.
por Wilson a 2:24 AM 1 comentários
18.10.05
Josh fora do QOTSA 'dos sonhos'
Uma pequena entrevista com Josh 'capitão do QOTSA' Homme no The Mercury News. Nada imperdível, mas aqui vão as partes mais relevantes. Só a primeira resposta está traduzida na íntegra.
O QOTSA sempre teve formações fluidas. Qual era sua idéia no começo?
Era uma forma de manter a música em movimento e evitar ter que tocar com algum egoista idiota que quer sorvete e não faz nada até conseguir seu sorvete. E evitar que eu me tornasse esse idiota também.
Se você pudesse montar sua formação dos sonhos para o QOTSA -- vivos ou mortos -- quem estaria nela?
Se eu tivesse essa formação dos sonhos, eu não estaria tocando, eu estaria assistindo.
Em 2004, você chutou o Nick Oliveri da banda. Mas quando o primeiro disco sem ele saiu em março, Nick estava dizendo pra imprensa que ele iria retornar ao QOTSA. Ele está fora pra sempre?
Sim, Nick está fora pra sempre.
por Wilson a 8:17 PM 3 comentários


