28.11.05

Festa grunge (15 anos depois)

São raras as vezes em que a Zero Hora serve pra alguma coisa, mas elas acontecem. E não apenas na Semana Santa. Duas boas entrevistas publicadas hoje no Segundo Caderno: uma com Jeff Ament, baixista do Pearl Jam; e outra com Mark Arm, vocal do Mudhoney.

Ament, confrontado à pergunta do momento [mp3], deixa claro que gostaria que tudo fosse como antes dos anos 1990. Em momento algum disse que se sente roubado ou algo do gênero. Para ele, é apenas questão de qualidade sonora. "A qualidade já baixou quando mudou para CD", declarou. "E piorou com o MP3. Quando pego um vinil e ouço Innervisions, do Stevie Wonder, ou algo do Marvin Gaye, ou do Led Zeppelin. É incrível como soa bem. Consigo ouvir muito mais do que no tocador de MP3".

Ele fala também do começo da cena de Seattle. De alguma forma, a explicação que ele dá para o que rolou lá não serve apenas para a cena Grunge. Ela demonstra o quanto o sucesso pode ser devastador, em qualquer cena, em qualquer lugar.

Houve um período, entre 1988 e 1991, em que a cena era pequena, mas as pessoas começaram a falar. O Soundgarden conseguiu um contrato, o Mother Love Bone, também. Daí, o Nirvana começou a acontecer. O legal de sermos uma turminha é que todos se viam sempre, íamos aos mesmos bares, cafés, restaurantes. De repente, lá por 1992, a coisa explodiu, e não nos víamos mais. Muita gente não voltou, morreu, algumas bandas se separaram. A fama afetou a todos. Lá por 1993, não tínhamos mais aquela comunidade. De repente, estava tudo diferente, amigos não se falam mais. Agora só restou o Mudhoney, e vamos viajar com eles.
Já o Mark Arm é um baita tirador de sarro. Provocou o entrevistador quando perguntado como seria o novo disco do Mudhoney em relação aos anteriores -- "Não sou o jornalista aqui. Não faço comparações entre meus próprios álbuns, esse é o seu trabalho", disse, entre risos. Divertiu-se com a própria resposta sobre ter fãs mais novos que a banda: "Achamos o máximo! Significa que nossa música transcende o tempo, quer dizer... Isso soou bem brega, né?" E ainda relembrou ter assistido a um "show ótimo" de uma "velha e legendária banda punk de Porto Alegre" [Replicantes], na última passagem por aqui.

Um comentário:

Anônimo disse...

para um super-hiper-duper-astro-do-rock, o ament é surpreendentemente lúcido.

ah, a falta que um bom tapa pode fazer para um rockstar mimado...