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14.1.08

Velho vinil

O retorno do disco de vinil é inegável. Menos de dois anos atrás, já haviam bons sinais disso. Agora, a norte-americana Time diagnostica o inesperado retorno e tenta explicar seus porquês.

Segundo a matéria, quase um milhão de álbuns de vinil foram vendidos nos EUA no ano passado, um aumento de 15,4% em relação ao ano anterior. Ainda um nada de 0,2% de um mercado dominado pelo CD (89,7%). Porém, como lembra a revista, estes dados referem-se apenas a vendas de álbuns novos. Perde-se no cálculo os números das pequenas lojas especializadas que lidam com usados.

O curioso, porém, é constatar que onde quer que se fale em retorno do vinil, as explicações mais óbvias passam pela qualidade do som -- aquela mesma que, no começo dos anos 1990, alardeava-se imbatível no CD.

Parte dessa resistência ao digital é culpa da própria indústria, que nos últimos anos tem feito tudo o que pode para fazer seus lançamentos soarem cada vez piores.

Até onde vai esse retorno é difícil prever. MI acredita que é a única forma que a indústria tem para tentar reverter seu declínio. Para isso, porém, seria preciso convencer o consumidor da geração IPod de que tanto CD quanto download são pálidas amostras do que pode ser a experiência musical se comparadas com um disco de vinil, com seu som encorpado e rico e seus encartes do tamanho de posteres.

Para finalizar, este simpático vídeo do nascimento de um vinil.

17.9.06

Mais vinil

Por conta do lançamento do novo álbum de Caetano Veloso, "Cê", em uma edição especial em vinil, a Folha Online traz uma matéria atualizando dados sobre a última fábrica de bolachões brasileira, a carioca Poly Som.

Apesar de alguma tendência de fortalecimento lá fora e do aumento de encomendas feitas por artistas de grandes gravadoras, os dados da reportagem mostram que o vinil segue sua lenta e gradual caminhada rumo à virtual inexistência no Brasil. Em 2004, 43 mil discos foram prensados pela tenaz fábrica de Belford Roxo; no ano passado, 32 mil e, nesse ano, 12 mil até agora.

24.5.06

O zumbi da indústria musical

Já que o assunto recente foram os simpáticos bolachões pretos, e há boas novidades sobre tema, vale mais um post -- mais atual que o anterior, claro. E muito, mas muito mais surpreendente.

"Acuada pela pirataria digital e pelo aumento da relutância do consumidor em pagar por CDs, a indústria musical está contra-atacando com sua mais recente tecnologia -- os discos de vinil". Assim começa a reportagem do The Business, de Londres, a respeito da sobrevida do paralelo mais próximo dos zumbis de George Romero quando o assunto é formato de distribuição de música.

A matéria traz informações estarrecedoras para todos que acreditam que o vinil está enterrado. Segundo o texto, entre 2001 e 2005, as vendas de singles em vinil cresceram seis vezes na Inglaterra, respondendo, no ano passado por 14,7% das vendas de singles (descontadas as vendas de downloads) no país. Nas megastores da Virgin, "até 70% das vendas de lançamentos [de singles] são em vinil", informa uma fonte da loja.

O fenômeno é tão forte que na nova loja da Virgin, a ser inaugurada em Manchester, os velhos toca-discos estarão disponíveis novamente para os consumidores "testarem" o produto antes de levá-lo para casa. A explicação para isso tudo? Os consumidores querem bens tangíveis, mais exclusivos do que o CD, que pode ser replicado em segundos. "O problema com o CD é que se você pode copiá-lo por quase nada, como é possível hoje, por que você iria querer comprar?", diz Roger Daltrey, do The Who, uma das fontes ouvidas pelo jornal.

Agradecimentos pelo link ao Marcos.

31.8.05

A morte dos esnobes do rock

Toda pessoa que tem uma coleção de discos que passa de três dígitos e fala dela como se fosse carne da própria carne (creio que todos os leitores desse blog) deveria ler este texto sobre como a era mp3 esta levando à extinção da figura do rock snob -- sujeitos que têm coleções de discos que passam dos três dígitos e falam delas como se fossem carne da própria carne. O acesso está cada vez mais banal, acabando com a figura do grande colecionador -- aquele farol a quem as pessoas se reportavam respeitosamente. Vai um trecho, naquela tradicional tradução sem compromisso.

Existe um lado obscuro na era do IPod. O papel do esnobe sobrevive pela exclusividade. E ter uma grande e eclética coleção musical se tornou banal. Graças ao IPod, e ao formato digital, qualquer um pode, com um amigo e com a internet, rapidamente construir uma gloriosa coleção de 10 mil músicas. Aumentando o problema, esse processo frequentemente acaba atingindo os rock snobs. De uma hora pra outra, fomos atacados por parasitas musicais. Por exemplo, um amigo de gosto musical mediano vampirou 700 músicas do meu computador. Ele ofereceu sua coleção em troca, mas não havia muito. (...) Em termos Rock Snobs, eu sou da familia real e ele, um plebeu que certamente não merecia aquele disco obscuro de músicas do AC/DC tocadas em versões acústicas, mas que certamente foi correndo se exibir aos seus amigos com elas. Muito pior foi a namorada para quem dei um IPod. Ela o plugou em meu computador e logo estava segurando em sua mão uma duplicata da minha coleção de 5 mil músicas que me custou 20 anos, e milhares de dólares e horas para acumular. Ela baixou tudo em menos de cinco minutos. E, poucos meses depois, ela se foi, levando junto meu íntimo DNA musical.
Lógico que não trocaria as facilidades de hoje pela vida de cinco anos atrás, cheia de discos inatingíveis. Ainda que a relação com os álbuns fosse mais íntima e saborosa. É preciso entender esse texto como uma piada politicamente incorreta. Mas, não dá pra negar: às vezes incomoda pensar em todo esforço e dinheiro empregado em uma coisa que hoje é tão facilmente replicável. Nós -- velhos mal-humorados acostumados a bater perna atrás de discos em lojas de outros velhos mais mal-humorados -- temos duas vinganças. Podemos pegar mais pesado com as bandas das novas gerações (se for ruim, é por incompetência e preguiça de ouvir coisas boas). E dizer que na nossa época era mais gostoso.

Do The New Republic, aqui.