2.1.06

KOTJ: o relato de Kramer

Nesses tempos de pouca produção, o negócio é se valer de arquivos para manter a máquina em funcionamento. Com um pouco de sorte dá pra achar verdadeiras pérolas. Como Wayne Kramer relembrando para a LA Weekly, em novembro de 1998, a gravação de Kick Out The Jams, que comemorava 30 anos à época.

Enquanto redator, Kramer pode não ter 10% da habilidade que demonstra à guitarra. Porém, além de ser uma das três pessoas vivas mais habilitadas a falar sobre o assunto, ele aplica às frases a mesma estética energética que costuma acompanhá-lo no palco. O resultado é um texto forte na descrição ambiental -- talvez o mais próximo que se possa chegar do que se passou no Grand Ballroom naquela noite de outubro de '68 sem ouvir o disco -- redigido por uma pessoa consciente, desde o princípio, de que os Five estavam fazendo mais que um disco; eles estavam entalhando seus nomes no DNA do rock e alterando-o para sempre.

A vontade que dá no caso deste texto é traduzi-lo na íntegra, mas tomaria muito tempo. Vai um trecho mínimo, onde Kramer relata a intimidade que a banda tinha com o palco da gravação.

O MC5 tocou [no Grand Ballroom] toda sexta e sábado à noite por quase três anos. Éramos a “banda da casa”. (...) Tocávamos tão freqüentemente que (...) [sabíamos como] fazer as coisas trabalharem a nosso favor. O lugar havia sido projetado para bandas acústicas, com sopros, piano, baixo acústico, talvez um microfone para o vocalista, mas nada como o que levamos para o palco. Éramos a primeira banda de Detroit a ter o novo amplificador inglês “Super Beatle” de 100 watts da Vox, e eles eram barulhentos. Mais barulhentos do que qualquer outra banda nas redondezas. Nós éramos os Reis do Volume. Os donos de clubes de todo o Meio-Oeste nos invejavam por causa daqueles amplificadores, e nos os tocávamos alto e orgulhosos. O Grand Ballroom podia assimilar aquele volume. Era perfeito.
Se algum texto merece ser qualificado de "imperdível", não tenho dúvidas de que é esse: aqui.

Um comentário:

Anônimo disse...

"e eles eram barulhentos".

classe. muito, muito classe.

e, só pra lembrar -- a assinatura do rockbackpages tá rolando este ano. debitaram no meu cartão no automático, mas agora foda-se. é um belíssimo subsídio. manda bala lá.

e, se quiser socializar os recursos rockanrollísticos por lá, sinta-se à vontade...

abração