KOTJ: o relato de Kramer
Nesses tempos de pouca produção, o negócio é se valer de arquivos para manter a máquina em funcionamento. Com um pouco de sorte dá pra achar verdadeiras pérolas. Como Wayne Kramer relembrando para a LA Weekly, em novembro de 1998, a gravação de Kick Out The Jams, que comemorava 30 anos à época.
Enquanto redator, Kramer pode não ter 10% da habilidade que demonstra à guitarra. Porém, além de ser uma das três pessoas vivas mais habilitadas a falar sobre o assunto, ele aplica às frases a mesma estética energética que costuma acompanhá-lo no palco. O resultado é um texto forte na descrição ambiental -- talvez o mais próximo que se possa chegar do que se passou no Grand Ballroom naquela noite de outubro de '68 sem ouvir o disco -- redigido por uma pessoa consciente, desde o princípio, de que os Five estavam fazendo mais que um disco; eles estavam entalhando seus nomes no DNA do rock e alterando-o para sempre.
A vontade que dá no caso deste texto é traduzi-lo na íntegra, mas tomaria muito tempo. Vai um trecho mínimo, onde Kramer relata a intimidade que a banda tinha com o palco da gravação.
O MC5 tocou [no Grand Ballroom] toda sexta e sábado à noite por quase três anos. Éramos a “banda da casa”. (...) Tocávamos tão freqüentemente que (...) [sabíamos como] fazer as coisas trabalharem a nosso favor. O lugar havia sido projetado para bandas acústicas, com sopros, piano, baixo acústico, talvez um microfone para o vocalista, mas nada como o que levamos para o palco. Éramos a primeira banda de Detroit a ter o novo amplificador inglês “Super Beatle” de 100 watts da Vox, e eles eram barulhentos. Mais barulhentos do que qualquer outra banda nas redondezas. Nós éramos os Reis do Volume. Os donos de clubes de todo o Meio-Oeste nos invejavam por causa daqueles amplificadores, e nos os tocávamos alto e orgulhosos. O Grand Ballroom podia assimilar aquele volume. Era perfeito.Se algum texto merece ser qualificado de "imperdível", não tenho dúvidas de que é esse: aqui.



Um comentário:
"e eles eram barulhentos".
classe. muito, muito classe.
e, só pra lembrar -- a assinatura do rockbackpages tá rolando este ano. debitaram no meu cartão no automático, mas agora foda-se. é um belíssimo subsídio. manda bala lá.
e, se quiser socializar os recursos rockanrollísticos por lá, sinta-se à vontade...
abração
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