Canguru cor-de-rosa
E passou o tal cover australiano do Pink Floyd por essas terras. Não assisti. Na verdade, ir a um show que anuncia como uma das atrações principais as "toneladas de efeitos" sobre o palco está na minha lista particular das vinte situações Se Eu Fizer Pode Me Internar. Ainda mais em se tratando de uma banda cover. Se luzes e fogos substituíssem guitarras e melodias, ninguém lamentaria a separação dos Beatles ou a morte do Hendrix tendo o ano-novo de Copacabana pra assistir. Mas isso é outra discussão. O ponto a ser abordado aqui é a questão do cover, ou, melhor dito, do megacover.
Como banda de garagem, adolescentes tocando Ramones nas primeiras apresentações no ginásio da escola? OK, é aprendizado. Como festivais de amantes do espelho retrovisor tentando imitar o rebolado e o topete do Elvis? Ok, é diversão. Mas vamos deixar uma coisa combinada aqui: não faz sentido algum um megashow cover de uma megabanda ainda na ativa -- e, sumo da ironia, com os originais praticando autofagia há pelo menos duas décadas. Por mais perfeição, por mais técnica, por mais ensaios, por mais qualidades elevadas a potências que só os computadores da Nasa poderiam calcular, ainda se trata de uma banda... cover. Nesse caso, cover de segunda mão, cópia de segunda geração.
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Que tempos!


