28.7.05

Hendrix em Londres, oitavo dia

A nova edição da Rolling Stone traz um especial de capa com os mesmos personagens de dois posts abaixo: Jimi Hendrix e

Apenas uma semana depois de Jimi aterrisar na Inglaterra, o Cream estava tocando na Polytechnic, no centro de Londres. Chandler cruzou com Clapton poucos dias antes e havia dito a ele que queria apresentar-lhe Jimi algum dia. Encontrar Clapton, claro, era uma das promessas que Chandler havia feito para Jimi antes de eles deixarem Nova York. Clapton mencionou a apresentação na Polytechnic e sugeriu que Chandler levasse seu protegido. Clapton ficaria feliz apenas em encontrar Jimi, mas Jimi chegou com sua guitarra. Chandler, Jimi e suas namoradas ficaram entre a platéia durante a primeira metade do show, e Chandler foi até o palco e perguntou a Clapton se ele deixaria Jimi fazer uma jam com a banda. O pedido pareceu tão absurdo que ninguém no Cream sabia o que dizer: ninguém jamais havia pedido para tocar com eles; a maioria ficaria intimidada pela reputação de melhor banda da Inglaterra. [Jack] Bruce então disse: "Claro, ele pode plugar no meu ampli de baixo".

Jimi plugou sua guitarra em um canal extra e imediatamente começou a tocar "Killing Floor", de Howlin Wolf. "Eu cresci junto com Eric, e sabia o quanto ele era fã de Albert King, que tinha uma versão mais lenta dessa música", relembra o agente Tony Garland, que estava no show. "Quando Hendrix começou sua versão ela era umas três vezes mais rápida que a de Albert King, e você podia ver o queixo de Clapton no chão -- ele não sabia o que viria depois". Lembrando do show depois, Clapton disse: "Eu pensei, 'Meu Deus, é como se o Buddy Guy tivesse tomado ácido'".

Quando Bruce contou sua versão do lendário evento, ele focou-se na reação de Clapton e referiu-se às pichações em Londres que proclamavam "Clapton é Deus". "Deve ter sido difícil para Eric para lidar", disse Bruce, "porque [Clapton] era 'Deus' e esse desconhecido chega e incendeia tudo". Jeff Beck estava na platéia naquela noite e também recebeu um alerta da apresentação de Jimi. "Mesmo que fosse porcaria -- e não era -- teria chamado atenção", disse Beck depois. Jimi estava em Londres havia oito dias, e já havia encontrado Deus, e tocado fogo nele.
Já havia lido essa história antes em uma biografia do Clapton, mas sem essa riqueza de detalhes "pode plugar no meu ampli de baixo". Isso só confirma: esse livro será foda.

2 comentários:

Anônimo disse...

o livro deve ser bom mesmo mas quem era foda era o negão. não conhecia essa história de jam com o cream.

Anônimo disse...

Mas ah, Grande Bolacha! O homem que carrega o peso de uma SG sobre seus ombros com uma classe fenomenal. Bem-vindo à casa. Já pensou nessa pororoca. Se o cara consegue ver o Clapton hoje já se dá por feliz, imagina cruzar os dois de uma vez só - no auge!! Quando ao negrão mais foda que o livro, não restam dúvidas. Afinal ele é o ASSUNTO.

Abraço!