Hendrix em Londres, oitavo dia
A nova edição da Rolling Stone traz um especial de capa com os mesmos personagens de dois posts abaixo: Jimi Hendrix e Charles Cross, autor de nova (e definitiva?!) biografia do filho pródigo de Seattle. No site da revista, tem um pequeno texto contando a primeira semana de Hendrix em Londres, quando ganhou o apelido de "Selvagem de Bornéu". Vale ler todo, pra descobrir, por exemplo, que Andy Summers, futuro Police, foi um dos primeiros a ouvir Hendrix na cidade. Abaixo, a tradução do momento que deixou Eric Clapton de "queixo no chão".
Apenas uma semana depois de Jimi aterrisar na Inglaterra, o Cream estava tocando na Polytechnic, no centro de Londres. Chandler cruzou com Clapton poucos dias antes e havia dito a ele que queria apresentar-lhe Jimi algum dia. Encontrar Clapton, claro, era uma das promessas que Chandler havia feito para Jimi antes de eles deixarem Nova York. Clapton mencionou a apresentação na Polytechnic e sugeriu que Chandler levasse seu protegido. Clapton ficaria feliz apenas em encontrar Jimi, mas Jimi chegou com sua guitarra. Chandler, Jimi e suas namoradas ficaram entre a platéia durante a primeira metade do show, e Chandler foi até o palco e perguntou a Clapton se ele deixaria Jimi fazer uma jam com a banda. O pedido pareceu tão absurdo que ninguém no Cream sabia o que dizer: ninguém jamais havia pedido para tocar com eles; a maioria ficaria intimidada pela reputação de melhor banda da Inglaterra. [Jack] Bruce então disse: "Claro, ele pode plugar no meu ampli de baixo".Já havia lido essa história antes em uma biografia do Clapton, mas sem essa riqueza de detalhes "pode plugar no meu ampli de baixo". Isso só confirma: esse livro será foda.
Jimi plugou sua guitarra em um canal extra e imediatamente começou a tocar "Killing Floor", de Howlin Wolf. "Eu cresci junto com Eric, e sabia o quanto ele era fã de Albert King, que tinha uma versão mais lenta dessa música", relembra o agente Tony Garland, que estava no show. "Quando Hendrix começou sua versão ela era umas três vezes mais rápida que a de Albert King, e você podia ver o queixo de Clapton no chão -- ele não sabia o que viria depois". Lembrando do show depois, Clapton disse: "Eu pensei, 'Meu Deus, é como se o Buddy Guy tivesse tomado ácido'".
Quando Bruce contou sua versão do lendário evento, ele focou-se na reação de Clapton e referiu-se às pichações em Londres que proclamavam "Clapton é Deus". "Deve ter sido difícil para Eric para lidar", disse Bruce, "porque [Clapton] era 'Deus' e esse desconhecido chega e incendeia tudo". Jeff Beck estava na platéia naquela noite e também recebeu um alerta da apresentação de Jimi. "Mesmo que fosse porcaria -- e não era -- teria chamado atenção", disse Beck depois. Jimi estava em Londres havia oito dias, e já havia encontrado Deus, e tocado fogo nele.



2 comentários:
o livro deve ser bom mesmo mas quem era foda era o negão. não conhecia essa história de jam com o cream.
Mas ah, Grande Bolacha! O homem que carrega o peso de uma SG sobre seus ombros com uma classe fenomenal. Bem-vindo à casa. Já pensou nessa pororoca. Se o cara consegue ver o Clapton hoje já se dá por feliz, imagina cruzar os dois de uma vez só - no auge!! Quando ao negrão mais foda que o livro, não restam dúvidas. Afinal ele é o ASSUNTO.
Abraço!
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