5.10.05

Tambores ensandecidos

Não é muito o propósito inicial de MI, mas como as coisas andam paradonas vou abrir uma exceção. Que apresentação da Nação Zumbi no Opinião ontem! Uma banda que havia sido condenada a um fim trágico quando da morte de Chico Science faz hoje fácil o melhor show do país. Na verdade, a banda é tão boa, e o show é tão foda que não tem muito a dizer que já não tenha sido dito.

Toda banda de rock que usa três ou mais percussionistas tem grandes chances de ser um lixo. Pois a Nação Zumbi é a exceção que comprova a regra. Apesar da quantidade de baquetas, a banda é enxuta e nada parece exagerado. Que outra banda tem mais de 60% dos integrantes na cozinha e soa rock como eles? Que outra banda tem oito integrantes e apenas um guitarrista e faz um som tão gordo e violento capaz de fazer muito metaleiro pedir água? Que outra banda é tão versátil que põe a galera pra pogar em um momento, e no outro faz todo mundo se balançar feito lombrigas eletrocutadas na pista?

Há uns cinco anos, para poder ver um show do Mundo Livre S/A, agüentei no mesmo palco Cordel do Fogo Encantado e Otto. Do lado de Mundo Livre, Cordel parecia uma banda marcial de colégio sem regência. Fico pensando se fosse ao lado da Nação Zumbi: seria algo próximo àquele tiozinho cego que toca violão com folha e pandeiro na Redenção.

Claro que todos que assistem ao show devem se perguntar onde estaria a banda se Chico Science ainda fosse vivo. E eu confesso que achei que Jorge du Peixe não daria certo no lugar de dele. Mas, embora não tenha o mesmo carisma, o cara sabe comandar o espetáculo. E deve ter uma personalidade do caralho. Poucos seriam capazes ocupar o lugar do Chico sem falhar miseravelmente.

Sobre Lúcio "Melhor Guitarrista do País" Maia só é necessário dizer que, sim, o cara é o melhor guitarrista do país.

Outro ponto positivo: não olham o retrovisor na hora de montar o set list. Seria fácil, muito fácil tocar 80% do "Afrociberdelia" [1995] e do "Da Lama ao Caos" [1993], fazer o pessoal pular o tempo todo e ganhar grana como banda cover. Mas boa parte das músicas vieram do ainda inédito "Futura" (sai em 15 de out.) e do mais recente, "Nação Zumbi" [2002]. Pra não dizer que foi perfeito, as incursões hip-hop bem que poderiam ser esquecidas, mas são tão poucas e irrelevantes que vale a pena aturar e até mesmo aplaudir.

Outro destaque: o público. Em certos momentos tinha-se a impressão de que todos estavam descalços e o chão do Opinião era feito de incandescentes chapas de aço. E ainda teve Walverdes abrindo. Patrick quebrou uma corda do baixo na primeira música e foi assim até o fim. Curto, mas intenso. Som bom e alto. Achei que a galera não ia entender os Walverdes, mas me enganei. Rolou até pogo em "Meu Bar" e "Câncer". [9/10]

3 comentários:

Anônimo disse...

eu te disse, eu te disse...

Anônimo disse...

Realmente. E eu quase não fui.

Alcio disse...

Rico de um colosso de um show!!!