Salvos pelo Backup IV
Crônica sobre exigências de camarim
Texto provavelmente de maio de 2001
O aquivo original não tinha título
Nota: de onde eu tirei essa comparação com faraós?!?
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Champanhes francesas; água mineral para a banheira; guardanapos com bordas em ouro; besouros e outros insetos para dar de comer a animais de estimação peçonhentos; um número exato de toalhas, cada uma de uma cor diferente.Uma das coisas mais estranhas e extravagantes do mundo é exigência de camarim de astro do pop. Contar quais eram os pedidos de bandas que alcançaram o estrelato como, por exemplo, os Guns'n'Roses, é tarefa para dezenas de páginas. Imagine então escrever um livro contando a história das exigências, começando em Elvis até Back Street Boys! É tarefa tão grande que só poderia ser feita pela mesma equipe editorial que escreveu a Bíblia. Mas seria um dos documentos mais importantes da Idade Contemporânea.
Dá para medir o nível de humildade de uma banda que depois de 15 anos de estrada pede “umas cervejas e umas toalhas brancas”, como foi o caso do Mudhoney, quando de passagem pelo Brasil.
Mas a turma de Mark Arm é a exceção. Na maioria dos casos, as exigências são diretamente proporcionais à direção das setas dos gráficos de vendas. Se as prateleiras estão vazias: copos de cristal, frutas lavadas com água mineral e festa particular no puteiro mais chique da cidade. Já CDs encalhados dão direito a passagem de ida e volta, mais um quartinho de hotel próximo à rodoviária e, por extremo luxo, a Playboy da Feiticeira.
Uma profissão que poderia valer-se dessa hipotética biografia coletiva da alma do showbiz é a dos psiquiatras. Explicar porque uma criança de cinco anos tem tara pela mãe e quer o pescoço do pai é fácil. Mas é tarefa para um exército de Freuds dar uma explicação plausível para o fato de uma banda exigir ovelhas no camarim.
Pense na vantagem histórica de um livro desses. Até hoje o comportamento estranho dos Faraós é motivo de controvérsia. Todos têm teses, mas ninguém tem a definitiva. Se levar tesouro para o túmulo permanece algo estranho até hoje, apesar das centenas de historiadores debruçados sobre o tema, imagine o que o futuro não reserva aos que fazem da profissão de produtor de show a mais ingrata de que já se ouviu falar. Muita discussão seria poupada porque, por mais que se diga que o rock está reduzido a escombros, eles não são tão palpáveis como de outras culturas. E mais, suas histórias são muito mais inverossímeis.
PS: Para compreender o sentido da série vá ao post original "Salvos pelo Backup"



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