Salvos pelo Backup V
Resenha de “Live at the Greek”
Texto de fins de 2001
Título original: Corvo voa como o zepelim
Nota: como dá pra perceber, eu fiquei muito boquiaberto com esse disco
***
Reza a lenda que quem deu o nome ao Led Zeppelin foi o falecido Keith Moon. O baterista do Who teria sugerido um zepelim de chumbo por ser "pesado" e "voar". Vinte anos depois de terminada a banda, finalmente saiu o grande registro ao vivo que o Led Zeppelin prometeu em "The Song Remains the Same” e não cumpriu em sua plenitude. É “Live at the Greek”, duas horas de uma barulheira infernal resultante da união de forças entre o Black Crowes, dos irmãos Chris e Rich Robinson, e Jimmy Page.Gravado em 1999 e lançado em 2000, mas chegando só agora ao Brasil, “Greek” é um disco de rock empolgante. Nem poderia ser diferente: um álbum gravado ao vivo, sem overdubs e registrando as músicas do Led Zeppelin com três (!!!) guitarras, sendo que duas delas pertencem à mais setentista das grandes bandas dos anos '90, e a outra ao próprio Jimmy Page.
Modernos, fiquem longe. A coisa mais inovadora deste álbum é o fato de ele ter sido lançado primeiro na internet para depois uma gravadora adotá-lo. No quesito sonoro, "Greek" apenas recicla. Ou nem isso. Xeroca. Mas quando se trata de abrir baú para colocar batas empoeiradas ao sol, o Crowes faz melhor que ninguém. A banda reafirma sua grande qualidade retrô. Coisa que quem ouviu “Shake Your Money Maker” já sabia desde 1990. A música mais recente em “Greek” foi escrita quando os Robinson passavam as tardes assistindo Muppets Show na TV. A base do repertório é do Led. E o clima é de 1973. Mas a maior qualidade é que os caras conseguiram chegar muito próximo à sonoridade do Led Zeppelin, em um trabalho de escolha de equipamentos que só pode ter sido obra de quem criou o original. No caso, Page.
Nenhum fã doente do Led apostaria seu "Physical Graffiti" original em vinil 180 gramas. Mas nos primeiros segundos da parede sonora quase impenetrável de "Celebration Day", ele até poderia confundir a banda de Atlanta com o quarteto inglês. O timbre das guitarras, a saturação dos amplificadores, e até mesmo a pegada máquina-de-misturar-cimento de Bonzo. Tudo muito igual.
Além do repertório do Led ("Ten Years Gone", "Custard Pie", "Sick Again", "In My Time Of Dying"...), o CD tem ainda o clássico “Shapes of Thing” dos Yardbirds, e uma versão encorpadíssima para “Oh, Well”, de Peter Green e seu Fleetwood Mac. Se Moon ouvisse, certamente diria que o corvo de chumbo também é pesado... e voa.
PS: Para compreender o sentido da série vá ao post original "Salvos pelo Backup"



Um comentário:
Esse disco é um COLOSSO! Tenho ainda um dvd de um show dessa turnê, que consegui lá na Led.
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