Testemunha dos Stooges
Belo material do Metro Times, de Detroit. Duas entrevistas por conta das reedições dos dois primeiros álbuns dos Stooges. Uma com Ron Asheton e outra com Ben Edmonds, co-produtor das reedições de 'Stooges' e 'Fun House'. Edmonds, um jornalista que diz ter visto os Stooges tantas vezes que nem consegue lembrar de todas, guarda vivas as memórias da primeira vez que os viu (em um show produzido por ele). Ele havia levado o MC5 para tocar em uma universidade em Ohio, em maio de 1969 e John Sinclair tocou no nome dos Stooges. Ninguém nunca havia ouvido falar da banda. Tanto que o cartaz do show, por duas vezes, foi impresso errado. Primeiro, The Stoops; depois, The Scrooges. Não havia razões para marcar o show, mas Edmonds foi adiante, convencido por Sinclair. Os Stooges, segundo ele, fariam uma apresentação que "would destroy the minds of all who witnessed it".
Não lembro se vendemos seis ou oito ingressos, mas definitivamente não passou de dois dígitos. Mesmo com portas abertas para qualquer um que passasse, o público seria bem inferior a vinte pessoas. Era óbvio que não haveria dinheiro para pagá-los, mas, profissional, [a banda] decidiu tocar. Passados todos esses anos, não sei se tenho palavras para descrever o que vi. Fiquei totalmente hipnotizado por Iggy. Nunca havia visto alguém se mexer como ele antes; assim como a música, seus movimentos não tinham precedentes. (...) Iggy parecia seguro e completo em sua ostra sonora, perdido em seu próprio mundo quando dançava.
Admito que fiquei tão chapado com o Iggy que mal percebi a banda. (...) os outros três Stooges eram eclipsados, quase anônimos em suas calças jeans e camisetas. Eles mal moviam um músculo. Dava pra dizer de cara que eles não eram tão bons músicos como o MC5, mas isso não parecia importar. (...) Eu não sabia distinguir uma música de outra, fora a parte de "no fun my babe no fun". A música era alta e indefinida, mas com um ritmo tão elementar que sua fonte não poderia estar na história musical, mas em algo mais distante, alguma memória genética suprimida.
A certa altura, ele [Iggy] pegou uma baqueta quebrada e começou a passá-la em seu peito nu. Ele aparentemente aumentava a pressão a cada batida, porque as marcas vermelhas logo ficaram visíveis, e então começaram a sangrar. Eu estava apavorado. Eu já havia ficado apavorado antes, mas era algo além disso. (...) "Mind-destroying", como ele [Sinclair] havia dito.



2 comentários:
\m/!!!!
grande alcio-man! bem-vindo!
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