6.6.06

"Seja Mais Certo"

Não fosse esse o Mundo Bizarro (aquele lugar onde nasceu o inimigo quadrado do Superhomem), ninguém iria ter que se perguntar se "Seja Mais Certo", novo vídeo dos Walverdes, pode entrar na programação daquela emissora de três letras. A única inquietação na cabeça das pessoas seria saber qual prêmio o mês de outubro reserva ao trabalho assinado por Cláudio Veríssimo.

5.6.06

Se um fosse dois

"Eu poderia superar o White Stripes com uma guitarra e uma f***ing bateria eletrônica"
Pete Townshend, nem um pouco político, em entrevista à revista nova-iorquina Relix. Infelizmente a entrevista não está disponível online. Pequenas notas no Aversion, no Earvolution e no GigWise.

3.6.06

Sabadão Garageiro

Mick Collins, a mente criativa por trás dos Dirtbombs, inaugura hoje seu programa de rádio na WDET, a rádio pública de Detroit. O programa Night Train, também transmitido ao vivo pela web, terá duas horas de duração e irá ao ar aos sábados às 19h, horário local (20h Brasília).

"Usando a metáfora de uma viagem de trem, a idéia básica por trás do programa é possibilitar aos ouvintes quatro "jornadas" musicais, algumas familiares e outras nem tanto, seja em relação ao gênero ou ao artista", Collins descreve o programa de quatro blocos no site da rádio. Na estréia, Collins apresentará NT ao vivo, porém outras edições deverão ser gravadas devido sua agenda de shows, informa uma matéria no The Detroit News. Segundo a matéria, a coleção pessoal de LPs de Collins servirá de base para o programa.

Lavando pra fora

Em novo álbum, Neil Young pede deposição de Bush
Chega ao Brasil "Living With War", disco em que Young defende o impeachment do presidente dos EUA e ataca a guerra do Iraque. Além de político, o rock do canandense está trepidante como há anos não se via

“Living With War”, trigésimo-segundo álbum de estúdio de Neil Young, é uma coleção de canções sobre política e guerra. Dito assim, pode até parecer pouco. Mas o registro que acaba de chegar às lojas brasileiras em CD é o maior manifesto político de um músico com quatro décadas de carreira, que já condenou a forma como a América foi conquistada e colonizada pelos europeus ("Cortez The Killer"); atacou a repressão aos movimentos pacifistas dos anos 1970 ("Ohio"); retratou as mazelas sociais do país que adotou como lar, os EUA ("Rockin' In A Free World"), e é um notório defensor de causas ambientais.

Nas nove faixas autorais de "Living With War" (Convivendo com a Guerra, em uma tradução livre), o roqueiro canadense, que mora na Califórnia desde meados da década de 1960, foca a campanha militar norte-americana no Iraque. Por 41 minutos e 36 segundos, Young critica a forma como as decisões foram tomadas em Washington; fala das manifestações anti-guerra; defende o diálogo ao lembrar que nem todo o mundo islâmico está ao lado do terror; retrata famílias vendo seus filhos irem para o front e soldados que voltam à terra natal dentro de caixas de madeira. E, na mais controversa das canções do álbum, "Let's Impeach the President", pede a deposição de George W. Bush.

Continue lendo a matéria/resenha aqui

29.5.06

Salvos pelo Backup V

Resenha de “Live at the Greek”
Texto de fins de 2001
Título original: Corvo voa como o zepelim
Nota: como dá pra perceber, eu fiquei muito boquiaberto com esse disco

***
Reza a lenda que quem deu o nome ao Led Zeppelin foi o falecido Keith Moon. O baterista do Who teria sugerido um zepelim de chumbo por ser "pesado" e "voar". Vinte anos depois de terminada a banda, finalmente saiu o grande registro ao vivo que o Led Zeppelin prometeu em "The Song Remains the Same” e não cumpriu em sua plenitude. É “Live at the Greek”, duas horas de uma barulheira infernal resultante da união de forças entre o Black Crowes, dos irmãos Chris e Rich Robinson, e Jimmy Page.

Gravado em 1999 e lançado em 2000, mas chegando só agora ao Brasil, “Greek” é um disco de rock empolgante. Nem poderia ser diferente: um álbum gravado ao vivo, sem overdubs e registrando as músicas do Led Zeppelin com três (!!!) guitarras, sendo que duas delas pertencem à mais setentista das grandes bandas dos anos '90, e a outra ao próprio Jimmy Page.

Modernos, fiquem longe. A coisa mais inovadora deste álbum é o fato de ele ter sido lançado primeiro na internet para depois uma gravadora adotá-lo. No quesito sonoro, "Greek" apenas recicla. Ou nem isso. Xeroca. Mas quando se trata de abrir baú para colocar batas empoeiradas ao sol, o Crowes faz melhor que ninguém. A banda reafirma sua grande qualidade retrô. Coisa que quem ouviu “Shake Your Money Maker” já sabia desde 1990. A música mais recente em “Greek” foi escrita quando os Robinson passavam as tardes assistindo Muppets Show na TV. A base do repertório é do Led. E o clima é de 1973. Mas a maior qualidade é que os caras conseguiram chegar muito próximo à sonoridade do Led Zeppelin, em um trabalho de escolha de equipamentos que só pode ter sido obra de quem criou o original. No caso, Page.

Nenhum fã doente do Led apostaria seu "Physical Graffiti" original em vinil 180 gramas. Mas nos primeiros segundos da parede sonora quase impenetrável de "Celebration Day", ele até poderia confundir a banda de Atlanta com o quarteto inglês. O timbre das guitarras, a saturação dos amplificadores, e até mesmo a pegada máquina-de-misturar-cimento de Bonzo. Tudo muito igual.

Além do repertório do Led ("Ten Years Gone", "Custard Pie", "Sick Again", "In My Time Of Dying"...), o CD tem ainda o clássico “Shapes of Thing” dos Yardbirds, e uma versão encorpadíssima para “Oh, Well”, de Peter Green e seu Fleetwood Mac. Se Moon ouvisse, certamente diria que o corvo de chumbo também é pesado... e voa.

PS: Para compreender o sentido da série vá ao post original "Salvos pelo Backup"

26.5.06

Salvos pelo Backup IV

Crônica sobre exigências de camarim
Texto provavelmente de maio de 2001
O aquivo original não tinha título
Nota: de onde eu tirei essa comparação com faraós?!?

***
Champanhes francesas; água mineral para a banheira; guardanapos com bordas em ouro; besouros e outros insetos para dar de comer a animais de estimação peçonhentos; um número exato de toalhas, cada uma de uma cor diferente.

Uma das coisas mais estranhas e extravagantes do mundo é exigência de camarim de astro do pop. Contar quais eram os pedidos de bandas que alcançaram o estrelato como, por exemplo, os Guns'n'Roses, é tarefa para dezenas de páginas. Imagine então escrever um livro contando a história das exigências, começando em Elvis até Back Street Boys! É tarefa tão grande que só poderia ser feita pela mesma equipe editorial que escreveu a Bíblia. Mas seria um dos documentos mais importantes da Idade Contemporânea.

Dá para medir o nível de humildade de uma banda que depois de 15 anos de estrada pede “umas cervejas e umas toalhas brancas”, como foi o caso do Mudhoney, quando de passagem pelo Brasil.

Mas a turma de Mark Arm é a exceção. Na maioria dos casos, as exigências são diretamente proporcionais à direção das setas dos gráficos de vendas. Se as prateleiras estão vazias: copos de cristal, frutas lavadas com água mineral e festa particular no puteiro mais chique da cidade. Já CDs encalhados dão direito a passagem de ida e volta, mais um quartinho de hotel próximo à rodoviária e, por extremo luxo, a Playboy da Feiticeira.

Uma profissão que poderia valer-se dessa hipotética biografia coletiva da alma do showbiz é a dos psiquiatras. Explicar porque uma criança de cinco anos tem tara pela mãe e quer o pescoço do pai é fácil. Mas é tarefa para um exército de Freuds dar uma explicação plausível para o fato de uma banda exigir ovelhas no camarim.

Pense na vantagem histórica de um livro desses. Até hoje o comportamento estranho dos Faraós é motivo de controvérsia. Todos têm teses, mas ninguém tem a definitiva. Se levar tesouro para o túmulo permanece algo estranho até hoje, apesar das centenas de historiadores debruçados sobre o tema, imagine o que o futuro não reserva aos que fazem da profissão de produtor de show a mais ingrata de que já se ouviu falar. Muita discussão seria poupada porque, por mais que se diga que o rock está reduzido a escombros, eles não são tão palpáveis como de outras culturas. E mais, suas histórias são muito mais inverossímeis.

PS: Para compreender o sentido da série vá ao post original "Salvos pelo Backup"

25.5.06

Salvos pelo Backup III

Outra crônica, agora sobre computadores e internet
Texto de março de 2001
Título original: O profeta e o pagão virtual
Nota: é meio off topic esse texto, mas fora o título, gosto dele. Por isso a exceção


***
A primeira vez que ouvi falar em internet foi no inverno de 1995. Meu professor, um senhor já de avançada idade, cabelos grisalhos e a fala mansa de quem freqüentou seminário, tinha os olhos arregalados como se tivesse visto o próprio Jesus Cristo. Fã ardoroso de literatura, ele acabara de falar com uma pessoa que lhe explicara o bê-a-bá da rede. De posse de umas poucas informações, dividiu com a turma a novidade. “Uma rede que dá acesso ao acervo de todas as bibliotecas do mundo”, repetiu a frase inúmeras vezes, em um deslumbramento inadequado para um homem com a idade dele.

Guardei na memória aquele dia mais do que qualquer outra aula. Não porque morresse de amores por computadores, muito pelo contrário: meu primeiro contato com eles foi lá pelo ano 3 AM (Antes do Mouse). E a experiência de uma tela preta com um cursor verde piscado bem na minha cara de e-agora-o-faço-o-quê? foi frustrante como a de um guri que ganha um bola de futebol no Natal e no dia seguinte, ao primeiro chute, a fura na cerca de arame farpado do vizinho.

Embora desconfiado, guardei a informação sobre aquela “rede que dá acesso a todas as bibliotecas do mundo”. Tudo bem que o professor ficasse entusiasmado, afinal, ele é o típico homem faria qualquer coisa para ler todos os livros do mundo, mesmo em uma tela de computador. Mas eu não. Achava que, assim como microondas foram feitos para aquecer comida e não para secar gatos; livros, jornais, revistas e fórmulas de pasta de dente eram para ser lidas em seu formato original. Enquanto computadores serviam apenas para assustar crianças de dez anos que não tivessem pré-disposição para desenvolver uma miopia superior a seis graus.

De '95 para cá, tantos bits passaram por baixo da ponte que seria estupidez manter o mesmo discurso. No ano seguinte, vi (o verbo é esse mesmo, pois não acessei, acessaram para mim) pela primeira vez uma página de web. Em '97, naveguei pela primeira vez e criei minha primeira conta de e-mail. Em '98, aprendi a usá-la. Mais um ano até começar a usar a rede como ferramenta de pesquisa. Só no ano passado baixei o meu primeiro mp3. E neste kubrickniano 2001 trabalhei em um site, e já nem sei mais quantas contas de e-mail tenho.

Só estou esperando uma coisa para poder dizer que estou livre do pecado de não ter acreditado nas palavras daquele homem que profetizou a internet para mim: achar onde se esconde o “acervo de todas as bibliotecas do mundo”. Mas antes preciso de outra maravilha tecnológica, por coincidência profetizada também por um ex-seminarista, a tal da linha telefônica do Sérgio Motta.

PS: Para compreender o sentido da série vá ao post original "Salvos pelo Backup"

24.5.06

O zumbi da indústria musical

Já que o assunto recente foram os simpáticos bolachões pretos, e há boas novidades sobre tema, vale mais um post -- mais atual que o anterior, claro. E muito, mas muito mais surpreendente.

"Acuada pela pirataria digital e pelo aumento da relutância do consumidor em pagar por CDs, a indústria musical está contra-atacando com sua mais recente tecnologia -- os discos de vinil". Assim começa a reportagem do The Business, de Londres, a respeito da sobrevida do paralelo mais próximo dos zumbis de George Romero quando o assunto é formato de distribuição de música.

A matéria traz informações estarrecedoras para todos que acreditam que o vinil está enterrado. Segundo o texto, entre 2001 e 2005, as vendas de singles em vinil cresceram seis vezes na Inglaterra, respondendo, no ano passado por 14,7% das vendas de singles (descontadas as vendas de downloads) no país. Nas megastores da Virgin, "até 70% das vendas de lançamentos [de singles] são em vinil", informa uma fonte da loja.

O fenômeno é tão forte que na nova loja da Virgin, a ser inaugurada em Manchester, os velhos toca-discos estarão disponíveis novamente para os consumidores "testarem" o produto antes de levá-lo para casa. A explicação para isso tudo? Os consumidores querem bens tangíveis, mais exclusivos do que o CD, que pode ser replicado em segundos. "O problema com o CD é que se você pode copiá-lo por quase nada, como é possível hoje, por que você iria querer comprar?", diz Roger Daltrey, do The Who, uma das fontes ouvidas pelo jornal.

Agradecimentos pelo link ao Marcos.

23.5.06

Salvos pelo Backup II

Reportagem sobre o "anacrônico" disco de vinil
Texto de abril de 2002
Título original: Resistência a 331/3 RPM
Nota: Este é um rascunho, a versão "quente" não foi "salva pelo backup"


***
Há quase 20 anos foi inventado o CD, e há pelo menos 10 ele domina o mercado. De lá para cá, muitos formatos foram testados. Do subversivo mp3 ao esquecível MD (mini disc), passando pelo CD-R (versão gravável do CD), nenhum conseguiu abolir por completo uma paixão que circula bem longe das lojas de departamentos e dos ambientes climatizados dos shoppings centers: o disco de vinil, conhecido pela sua sigla em inglês LP (long play).

A teimosia dos “bolachões” pouco ou nada tem a ver com a exorbitância cobrada pelos CDs nas famosas “melhores lojas do ramo”. Depois de sua morte ter sido contada e recontada em versões digitais, a única lei que o vinil parece aceitar é a da oferta e da procura. De edições nacionais de álbuns menores dos Rolling Stones da década de oitenta, que crescem como mato em qualquer loja, a edições limitadíssimas ou prensagens originais e importadas, o valor do vinil pode variar do módico 1 real a quantias impensáveis para os bolsos comuns.

“A maioria das pessoas desfaz-se dos discos por problema de espaço”, afirma Edison Tavares, dono de uma loja de discos no centro de Porto Alegre cujo acervo passa fácil os 5 mil títulos. Segundo ele, quem opta pelo velho formato de 12 polegadas -- o que popularizou-se desde a metade da década de 50 – o faz devido a qualidade do produto.

“Quando comprava-se um roupeiro de madeira era um produto para toda a vida, a mesma coisa um carro da década de 70 – tudo bem que gastava muita gasolina, mas naquela época ela era barata. A mesma coisa o vinil. Olha para isso”, diz, segurando um encarte para CD, com seus mirrados 168 cm² de capa, 17% do disponível em um vinil.

Questões sonoras a parte – sempre pautadas por uma velha tese de que o vinil tem os sons graves mais robustos que no CD –, Tavares tem uma tese para explicar a manutenção do interesse à revelia dos interesses da indústria: a exclusividade. “Se colocar um CD em uma máquina e sai uma cópia perfeita dele; com o LP não, tu sabes que é único, não tem como copiar”.

Os 570% de vantagem para a arte da capa o que LP leva sobre o CD não atrai apenas velhos e saudosistas. “As pessoas pensam que só hippie compra LP, o que não é verdade”, elucida.

Apesar de ser um entusiasta do vinil, Tavares crê na convivência pacífica dos diferentes suportes. Tanto que tem em sua loja um balcão para CDs, mas que não chega a fazer volume. Apenas os LPs dos Rolling Stones, campeões de venda, são suficiente para superar em quantidade os CD.

A maioria absoluta do que circula em lojas como a de Tavares foi produzido até 1997, ano em que as principais fábricas gravadoras do país abandonaram o formato. Hoje, com uma única empresa fabricando LPs, o Brasil corre o risco de ser varrido do mapa da resistência a 33 rotações por minuto.

O esforço pela manutenção do vinil deve ser creditado a Nilton José Rocha, proprietário da Poly Som, de onde saem as cerca de 5 mil cópias mensais de LPs brasileiros. E quem mantém a ferrugem longe das máquinas da Poly Som é o movimento Hip Hop e os DJ, que têm o disco de vinil como instrumento de trabalho. É pouco. O que a fábrica produz em um mês é a capacidade diária do maquinário da Poly Som.

E foi das prensas da Poly Som que saíram as 400 cópias de “Olelê Seis Tiros”, versão reduzida do mais recente trabalho da banda gaúcha Ultramen. A banda só não passou os 63 minutos e 54 segundos de “Olelê” para o acetato devido a uma das limitações dos LPs: o tempo. “Teríamos de fazer um disco duplo”, explica Malásia, percusionista da banda, que resolveu de propósito “ir na contramão do que se faz hoje”.

“Seis Tiros” está vendendo cerca de 10 cópias por semana. “Tem gente que nem tem mais toca-discos e está comprando”, comemora Malásia, ele mesmo cliente da loja de Tavares. A banda pretende analisar as vendas de “Seis Tiros” para “tirar uma febre” e ver se vale a pena lançar outros projetos em LP.

PS: Para compreender o sentido da série vá ao post original "Salvos pelo Backup"

Salvos pelo Backup I

Resenha: "Alta Fidelidade"
Texto dos idos de 2000
O aquivo original não tinha título
Nota: resenha é curta assim pois era pra uma cadeira de radiojornalismo


***
Certamente você já ouviu falar na expressão ler de uma sentada só. Pois esse é o caso do surpreendente best seller de Nick Horny, "Alta Fidelidade". O livro ganhou uma versão cinematográfica e outra em teatro e transformou-se em um fenômeno só comparável nos últimos dez anos ao Nirvana, do saudoso Kurt Cobain.

Dono de um estilo simples e direto, Hornby usa e abusa das comparações para construir sua história. Rob Gordon é um homem de trinta e poucos anos que se nega a entrar no mundo adulto, orgulhoso de seus conhecimentos sobre o mundo pop. As situações são cômicas porque são comuns: ou seja, se você não é como Gordon, certamente tem um tio, um primo ou um amigo muito parecido com o protagonista de "Alta Fidelidade". O livro saiu no Brasil pela editora Rocco. E é preciso saudá-la por ter lançado a obra de Hornby antes dela ir às telas – depois seria muito fácil.

Voltando à história, Gordon tem uma maneira muito peculiar de gastar seu tempo. Passa noites e noites re-re-re-organizando seus discos, brinca de DJ em boates, apaixona-se com a mesma freqüência com que faz listas dos "cinco mais". Dos cinco melhores pé-na-bunda de namoradas às cinco melhores aberturas de lados B de discos, tudo no mundo dele pode ser catalogado. E é lado B mesmo, pois, em "Alta Fidelidade", o vinil, especialmente o de época, é mais importante que CD. É um livro para ser lido a 33 RPM. Sempre de uma sentada.

Se você ainda não foi ao cinema ver o filme, prefira conhecer a história antes na poltrona de sua casa. Seria a opção de Gordon.

PS: Para compreender o sentido da série vá ao post original "Salvos pelo Backup"

Salvos pelo Backup

A era digital tem lá suas duas ou três vantagens. Uma delas é a facilidade de arquivar coisas. Pois em um velho e empoeirado HD de pouco mais de 1Gb (!), achei alguns trabalhos antigos de faculdade. Para que o amigo leitor tenha a oportunidade de ver como é fácil a vida de estudante de jornalismo, MI irá publicar alguns destes textos com os quais consegui meu diploma. Não são muitos, já que boa parte deles abordam temas que escapam à "linha editorial" deste blog, mas existem algumas coisas sobre rock lá no meio. Vamos chamar a essa série de "Salvos pelo Backup".

9.5.06

Vídeos

Otis Redding, "Respect" (ao vivo, '65)
http://www.youtube.com/watch?v=pNypVbRl48M

Beatles, "Paperback Writer" (cartoon)
http://www.youtube.com/watch?v=HahKsFl5nqw

Neil Young, "Don't Let It Bring You Down" (ao vivo, '71)
http://www.youtube.com/watch?v=LBG4vxi9mtk

Jeff Beck Group, "Shapes of Things" (videoclipe "ao vivo")
http://www.youtube.com/watch?v=IL7ixSWdvCc

Stooges, "TV Eye" & "1970" (ao vivo, '70)
http://www.youtube.com/watch?v=-qVXlcDLPNY
[O show da famosa foto em que o Iggy caminha sobre a platéia]

Black Keys, "Stack Shot Billy" (ao vivo, Late Show)
http://www.youtube.com/watch?v=XoG3TACGXZo

8.5.06

Um trabalho para Jack Bauer

Kiefer Sutherland gosta de música. Rock particularmente. Passou os últimos vinte anos colecionando guitarras Gibson. Mas recentemente resolveu levar esse hobby ainda mais a sério ao abrir um selo/estúdio em Los Angeles, o Ironworks. Aproveitou também para virar tour manager de uma das bandas contratadas. Mas o The Guardian relembra a Kiefer: às vezes ser responsável por uma turnê pode ser mais perigoso do que fazer o trabalho de Jack Bauer.

Confira a lista do Guardian para os dez maiores abacaxis que tour managers já tiveram que descascar; e os cinco "nunca faça isso".

3.5.06

Sobreviventes do hype

Prestes a lançar um EP e já gravando o terceiro álbum da carreira, os Datsuns estão no The Independent. O repórter, que conheceu a banda ainda em 2002, antes do álbum de estréia, e hospedou os neozelandeses no chão de sua casa por seis semanas, conta que quase viu a campainha de seu telefone derreter com o desejo desesperado de gravadoras para contratar o que a imprensa -- particularmente inglesa -- vinha considerando ser the next big thing.

Apesar de todo o hype e de histórias bizarras que podem corromper a moral e virar a cabeça de qualquer um -- como o caso do executivo da Atlantic que disse ter cruzado o oceano em um Concorde para uma reunião com os músicos em Londres -- a matéria mostra uma banda com os pés no chão. "É risível", diz a certa altura o baixista e vocalista Dolf de Borst. "É uma indústria ridícula que pode magoar algumas pessoas, mas ao mesmo tempo pode ser impressionante."

O primeiro trabalho depois do pouco comentado "Outta Sight/Outta Mind" [2004], o EP "Stuck Here For Days" -- edição limitada e exclusiva em vinil -- parece preparar o caminho para uma uma banda um pouco diferente. Alguns elementos acústicos, mas com a mesma pegada anterior, como confirma a faixa homônima, já disponível no MySpace da banda e em TheDatsuns.com, onde também se pode ouvir as outras três faixas que completam o EP.

29.4.06

Peraltices de um guri de 62

A manchete é: Keith Richards hospitalizado. Recorra a todas as possibilidades para pensar o que levou o guitarrista dos Stones aos braços de enfermeiras neozelandesas. Mal súbito? Coisas que colocaram no suco de laranja dele? Não. Certamente as palavras se esgotarão antes de você imaginar que, de férias em Fiji, o homem que vive de enganar a morte bateu a cabeça ao cair de um coqueiro.

7.4.06

22-20s

Vem de uma canção de Skip James -- o que já é bom sinal -- o nome desta interessante banda movida pelo mesmo diapasão de blues cru de Black Keys, Soledad Brothers e outras favoritas da casa. A única amostra conhecida deste blog, uma apresentação ao vivo em uma rádio da califórnia, havia deixado ótima impressão e a certeza de que era preciso uma pesquisa mais profunda em momento oportuno. Momento esse que acabou não surgindo até agora. Pois com dois meses e meio de atraso, veio a descoberta: a banda acabou. Uma pena. Para quem não ouviu nada, vale muito dar uma passada na página da rádio californiana KCRW e conferir a apresentação que o quarteto inglês fez em agosto do ano passado por lá. Outra boa opção é o site de fã Devil In Me, que traz seis arquivos de apresentações ao vivo em outras duas rádios e alguns vídeos.

21.3.06

Conselho do tio Goss

Foi a melhor coisa que já aconteceu. Eu aprendi muito com ele. [A experiência] quase apagou tudo que eu sabia sobre tocar. Ele é um artista/músico incrível. Realmente compreende a estética do rock, do blues e do jazz. (...) Desde que toquei com ele, eu uso Marshalls apenas em palcos grandes. A importância de manter o volume baixo nos ensaios, e poder ouvir todos na banda, [e compreender] a dinâmica. Se você começa tocando alto, não há para onde ir depois.
Chris Goss sobre o que aprendeu com Ginger Baker. Entrevista completa na Modern Guitars Magazine.

15.3.06

Mais Campari

O UOL Música entra no clima do Campari Rock e traz duas entrevistas com membros das principais bandas do festival. Na semana passada quem falou foi Peter Prescott, batera Mission of Burma. O papo atém-se um pouco demais ao passado (até compreensível por ser uma banda "obscura" e ter feito uma parada de duas décadas), mas vale a pena para descobrir, por exemplo, que o MoB parou no começo dos anos ’80 por causa de um problema auditivo de um dos membros.

Ontem foi a vez do Supergrass. Nada imperdível, mas mesmo assim digno de nota. Entre outras coisas, o baixista Mick Quinn confirma o formato "crescendo" do show que a banda deve apresentar em Atibaia. "Nós fizemos uma grande turnê acústica no ano passado. A partir dessa turnê, criamos este set que começa acústico e vai crescendo até se tornar uma grande apresentação de rock no final. Esse é nosso conceito atual". Quinn conta também que as músicas de "Road To Rouen" -- concebidas a base de "muito folk progressivo dos anos
’60" -- serão sim a base da apresentação.

Gracias, Tiago!

Mude

Instalei um novo contador no blog [statcounter.com] e darei adeus em poucos dias ao antigo. Com o novo, consegui ignorar meus próprios acessos ao site e um dado obtido com essa nova ferramenta revelou que uma grande maioria das pessoas que acessam MI o faz através do IExplorer.


Não sou nenhum militante tecnológico, mas, se me for permitido um conselho de amigo, faça um favor a si mesmo e...

Get Firefox!

14.3.06

Pequeno diabo

Quando você deu aquela risadinha eu fiquei: 'Putz, o que faço agora?'. Ajude-me a voltar a o que eu estava falando porque é importante e você me fez perder a linha de raciocínio
Jesse "The Devil" Hughes, passando uma cantada na repórter durante entrevista ao site LiveDaily, onde fala sobre a turnê do Eagles of Death Metal e "Death by Sexy", novo álbum da banda.